Pesquisadores revelaram hoje, em um estudo publicado na revista Science, como os músculos do medo podem ser controlados no cérebro de camundongos. Quando um pássaro se aproxima, os camundongos instintivamente buscam abrigo, assim como os humanos reagem ao ver uma aranha. No entanto, esses reflexos podem ser suprimidos se os animais aprendem que o estímulo […]
Pesquisadores revelaram hoje, em um estudo publicado na revista Science, como os músculos do medo podem ser controlados no cérebro de camundongos. Quando um pássaro se aproxima, os camundongos instintivamente buscam abrigo, assim como os humanos reagem ao ver uma aranha. No entanto, esses reflexos podem ser suprimidos se os animais aprendem que o estímulo assustador é inofensivo. O estudo identificou duas regiões do cérebro que colaboram para essa supressão do medo, mas apenas uma delas está envolvida na recordação do comportamento aprendido.
Os pesquisadores utilizaram um círculo escuro em expansão para simular a presença de um predador, levando camundongos ingênuos a se refugiarem. Para ensinar que esse estímulo não era perigoso, uma barreira foi colocada, impedindo que os animais se escondessem. A especialista em neurociência comportamental, Christina Perry, elogiou o modelo utilizado, destacando sua simplicidade e eficácia. Os camundongos, ao não serem “comidos”, aprenderam que o predador simulado não representava uma ameaça real.
Durante o processo de aprendizado, os cientistas utilizaram a optogenética, uma técnica que permite controlar neurônios com luz, para ativar ou desativar tipos específicos de neurônios. Quando partes do córtex cerebral responsáveis pela análise de estímulos visuais foram silenciadas, os camundongos não conseguiram aprender a suprimir o medo e continuaram a tentar escapar. Isso indica que essa área é crucial para o aprendizado da supressão do medo.
Entretanto, camundongos já treinados para superar o medo conseguiram manter seu comportamento corajoso mesmo com a desativação das áreas visuais. A memória desse comportamento estava armazenada em uma região do cérebro chamada núcleo geniculado ventrolateral, que possui a capacidade de inibir outras áreas, funcionando como um forte centro de controle, conforme explicou a coautora Sonja Hofer, da University College London.
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