Um juiz dos Estados Unidos bloqueou uma política que, a partir de hoje, reduziria em bilhões de dólares o financiamento anual para instituições de pesquisa, incluindo universidades e hospitais. A decisão foi tomada em resposta a um processo movido por 22 estados, que alegaram que a política era ilegal e poderia interromper o “trabalho de […]
Um juiz dos Estados Unidos bloqueou uma política que, a partir de hoje, reduziria em bilhões de dólares o financiamento anual para instituições de pesquisa, incluindo universidades e hospitais. A decisão foi tomada em resposta a um processo movido por 22 estados, que alegaram que a política era ilegal e poderia interromper o “trabalho de ponta para curar e tratar doenças humanas”. A política, anunciada pelo Instituto Nacional de Saúde (NIH) em 7 de fevereiro, pretendia limitar os custos indiretos de pesquisa a 15% para novos e antigos subsídios.
No ano passado, o NIH, o maior financiador público de pesquisa biomédica do mundo, destinou US$ 26 bilhões diretamente a cientistas, enquanto US$ 9 bilhões foram alocados para custos indiretos, que ajudam as instituições a manter suas operações. Historicamente, a taxa média de custos indiretos gira em torno de 40%, podendo chegar a 75% em algumas instituições. A proposta de corte surge em um contexto de redução de gastos federais promovido pela administração do presidente Donald Trump.
O juiz Angel Kelley emitiu uma ordem que impede temporariamente o NIH de implementar a nova política nos estados que processaram a ação, com uma audiência marcada para 21 de fevereiro. A ação judicial destaca que a política causaria “demissões, suspensão de ensaios clínicos e interrupção de programas de pesquisa”. Instituições como a Universidade da Flórida já começaram a congelar novos projetos devido à incerteza sobre a aplicação da nova taxa.
Pesquisadores alertam que a política pode desestabilizar o setor de pesquisa biomédica nos EUA. Alondra Nelson, ex-diretora do Escritório de Política de Ciência e Tecnologia, afirmou que isso resultaria em uma “reestruturação geracional” do ecossistema de pesquisa e desenvolvimento. O Hospital de Pesquisa Infantil St. Jude, por exemplo, poderia perder quase US$ 40 milhões anualmente, o que impactaria diretamente a disponibilidade de tratamentos experimentais para crianças.
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