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O futuro do queijo camembert em risco com a perda de biodiversidade alimentar

- A FAO revela que apenas nove espécies de plantas representam 66% da produção agrícola. - Queijo camembert, salmão selvagem e café arábica estão em risco de extinção. - A dependência de poucos alimentos gera consequências para saúde e meio ambiente. - A globalização promoveu homogeneização alimentar, reduzindo a diversidade. - Especialistas defendem ações para reverter a perda de biodiversidade alimentar.

A globalização e a perda de biodiversidade estão ameaçando a diversidade alimentar, com produtos como o queijo camembert, o salmão selvagem do Atlântico e o café arábica em risco de extinção. Segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), das seis mil espécies de plantas cultivadas, menos de duzentas são […]

A globalização e a perda de biodiversidade estão ameaçando a diversidade alimentar, com produtos como o queijo camembert, o salmão selvagem do Atlântico e o café arábica em risco de extinção. Segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), das seis mil espécies de plantas cultivadas, menos de duzentas são responsáveis por uma parte significativa da produção alimentar mundial. Apenas nove delas representam 66% da produção agrícola total, o que gera preocupações sobre a sustentabilidade do sistema alimentar.

Dan Saladino, jornalista e autor do livro “Comer até a extinção”, destaca que a globalização teve efeitos ambivalentes na diversidade alimentar. Embora tenha permitido a expansão de cultivos como trigo, milho e arroz, que se adaptaram a diferentes culturas, atualmente, um número restrito de estados e corporações controla o sistema alimentar global. Isso resulta na predominância de apenas 15 plantas, que fornecem 90% da energia necessária para a população mundial, levando à homogeneização dos alimentos.

A perda de diversidade não se limita a espécies em extinção, mas também afeta a saúde humana. Clara Joaquín Ortiz, da Sociedade Espanhola de Endocrinologia e Nutrição (SEEN), alerta que dietas baseadas em poucos cultivos, ricos em calorias mas pobres em nutrientes, podem causar deficiências nutricionais e aumentar o risco de doenças como obesidade e diabetes tipo 2. A falta de variedade alimentar também compromete a microbiota intestinal, essencial para a saúde digestiva.

Para reverter essa tendência, é necessária a colaboração entre governos, empresas e consumidores. A FAO promove a diversidade de cultivos, apoiando agricultores na preservação de variedades tradicionais. Projetos como Navarra 360º visam restaurar a biodiversidade agrícola, enquanto especialistas sugerem que os consumidores optem por alimentos locais e de temporada. Cada escolha no supermercado pode impactar a preservação da biodiversidade alimentar.

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