A escritora gaúcha Carina Luft, de 53 anos, relata uma trajetória marcada pela pressão estética durante seus 30 anos como secretária executiva bilíngue. Ela enfrentou constantes comentários sobre sua aparência, incluindo sugestões sutis do RH para se maquiar e manter uma imagem jovial. Essa cobrança gerou uma relação tóxica com o espelho, levando Carina a […]
A escritora gaúcha Carina Luft, de 53 anos, relata uma trajetória marcada pela pressão estética durante seus 30 anos como secretária executiva bilíngue. Ela enfrentou constantes comentários sobre sua aparência, incluindo sugestões sutis do RH para se maquiar e manter uma imagem jovial. Essa cobrança gerou uma relação tóxica com o espelho, levando Carina a abandonar sua carreira corporativa, embora ainda invista em procedimentos estéticos devido à ansiedade e à busca por um padrão de beleza.
Esse fenômeno, denominado “beauty burnout”, reflete a exaustão emocional que muitas mulheres enfrentam na busca pela perfeição. Segundo a Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética, o Brasil liderou o ranking mundial de cirurgias plásticas em 2023, com mais de 3 milhões de procedimentos realizados. A cirurgiã plástica Sheila Mulatti observa que as pacientes frequentemente se sentem pressionadas a atender a padrões irreais, resultando em uma lista interminável de cuidados com a aparência.
Sheila também compartilha sua própria experiência, reconhecendo que, mesmo aos 40 anos, já se sentiu sobrecarregada pelas expectativas de beleza. Ela enfatiza que muitas pacientes buscam não apenas mudanças físicas, mas uma nova versão de si mesmas, como se os procedimentos estéticos fossem objetos que poderiam atender a essas expectativas. O filme “A Substância”, com Demi Moore, exemplifica essa busca por transformação, que muitas vezes resulta em insatisfação.
O psicanalista Wilson Franco analisa que o ideal de beleza carrega uma carga histórica de submissão, onde a aparência se torna um meio para alcançar pertencimento social. Apesar de movimentos que promovem a aceitação da beleza natural, ele acredita que os padrões atuais tendem a se acentuar. No entanto, Franco vê na sororidade um potencial libertador, sugerindo que há um caminho para que as mulheres resistam a essas pressões sociais.
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