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Paola Nogales investiga o tráfico de jaguares em Bolivia com tecnologia de ponta

- Paola Nogales estuda a conservação do jaguar na Bolívia usando genômica. - Ela enfrenta dificuldades para acessar colmilos apreendidos, essenciais para pesquisas. - A falta de resposta das autoridades atrapalha investigações sobre tráfico de jaguares. - O projeto de Nogales já identificou duas populações genéticas de jaguares no país. - A cientista busca apoio legal para garantir que traficantes não fiquem impunes.

Paola Nogales, bióloga, dedicou três anos a investigar o habitat do jaguar (Panthera onca) na Bolívia, coletando restos de animais mortos para análise genética. Sua pesquisa, que começou como parte de sua tese de graduação, evoluiu para o projeto Improving Jaguar Conservation through Genomics, focado na conservação do felino por meio do estudo de seu […]

Paola Nogales, bióloga, dedicou três anos a investigar o habitat do jaguar (Panthera onca) na Bolívia, coletando restos de animais mortos para análise genética. Sua pesquisa, que começou como parte de sua tese de graduação, evoluiu para o projeto Improving Jaguar Conservation through Genomics, focado na conservação do felino por meio do estudo de seu genoma. Utilizando a técnica de sequenciamento do genoma completo, Nogales criou uma base de dados que ajuda a rastrear a origem de jaguares mortos e a desenvolver estratégias de conservação.

A redução de custos em tecnologias de saúde, impulsionada pela pandemia de covid-19, facilitou o acesso a equipamentos que permitem a leitura de genes de animais a partir de amostras como pelos e ossos. O tamanho do genoma do jaguar é de 2,5 gigas de pares de bases, e a pesquisa de Nogales revelou a existência de duas populações genéticas distintas no país. Essa informação é crucial para a eficácia das ações de conservação, especialmente em áreas como o Parque Nacional Madidi.

Em 2023, Nogales ganhou o concurso Falling Walls Lab em Berlim, apresentando sua proposta de rastreamento de jaguares traficados. No entanto, ela enfrenta desafios para acessar colmillos e outros restos, que estão sob custódia da polícia, dificultando a realização de análises forenses. Rodrigo Herrera, advogado ambiental que colabora com Nogales, destacou a falta de resposta das autoridades sobre o acesso a essas evidências, evidenciando um vácuo legal na Bolívia sobre a custódia de partes de animais apreendidos.

Entre 2013 e 2021, foram registrados 25 casos de tráfico de jaguar, com apenas cinco resultando em sentença. Estima-se que existam cerca de 900 amostras apreendidas, mas muitos casos recentes resultaram apenas em prisões sem consequências legais significativas. A organização WCS está atualizando os dados sobre o tráfico de vida silvestre, enquanto Nogales continua seu trabalho com jaguares e outras espécies, buscando integrar esforços acadêmicos com as áreas forense e legal para garantir que os traficantes sejam responsabilizados.

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