Pesquisadores têm investigado a relação entre condições neurológicas e psiquiátricas, especialmente a conexão entre depressão e demência. Um estudo recente, publicado no periódico BMC Medicine, sugere que certos antidepressivos podem agravar o declínio cognitivo em pacientes com demência. A autora do estudo, Sara Garcia‑Ptacek, do Instituto Karolinska, destacou que os resultados não foram surpreendentes, pois […]
Pesquisadores têm investigado a relação entre condições neurológicas e psiquiátricas, especialmente a conexão entre depressão e demência. Um estudo recente, publicado no periódico BMC Medicine, sugere que certos antidepressivos podem agravar o declínio cognitivo em pacientes com demência. A autora do estudo, Sara Garcia‑Ptacek, do Instituto Karolinska, destacou que os resultados não foram surpreendentes, pois alguns antidepressivos possuem efeito anticolinérgico, que pode prejudicar a memória.
O estudo analisou dados de aproximadamente 18,7 mil pacientes suecos entre 2008 e 2017, mas é importante notar que se trata de uma pesquisa associativa, o que impede a definição de causa e efeito. Diogo Haddad, chefe do Centro Especializado em Neurologia do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, alertou sobre o uso indiscriminado de medicamentos em pacientes idosos com demência, enfatizando que a depressão não tratada pode ter um impacto negativo maior do que os efeitos dos antidepressivos.
Embora os resultados sejam significativos, outros estudos, como um publicado em 2024 na revista Alzheimer & Dementia, não encontraram a mesma correlação. Além disso, uma pesquisa na The BMJ indicou que abordagens não farmacológicas podem ser mais eficazes no tratamento da depressão em pacientes com demência. Mychael Lourenço, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro, ressaltou a complexidade das doenças psiquiátricas e a importância do estudo para novas investigações.
Os autores do estudo pretendem aprofundar a pesquisa, buscando entender como o aumento da serotonina pode afetar a cognição e como o tratamento de sintomas psiquiátricos pode beneficiar a função cognitiva. Garcia‑Ptacek afirmou que o objetivo é reunir mais dados para identificar quais pacientes respondem melhor a determinados tratamentos, contribuindo para uma abordagem de medicina personalizada.
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