Especialistas sugerem que paredes mais grossas, mudanças no teto e a plantação de árvores com folhagens densas podem reduzir ou eliminar a necessidade de ar-condicionado nas escolas. Em um cenário de ondas de calor cada vez mais frequentes, alternativas à refrigeração mecânica são vistas como soluções mais sustentáveis e econômicas para combater as altas temperaturas […]
Especialistas sugerem que paredes mais grossas, mudanças no teto e a plantação de árvores com folhagens densas podem reduzir ou eliminar a necessidade de ar-condicionado nas escolas. Em um cenário de ondas de calor cada vez mais frequentes, alternativas à refrigeração mecânica são vistas como soluções mais sustentáveis e econômicas para combater as altas temperaturas que afetam a aprendizagem e levaram ao cancelamento de aulas no Brasil em 2024. Cidades quentes, como Cuiabá e Teresina, ainda podem necessitar de ar-condicionado em situações extremas, mas a adoção de medidas arquitetônicas pode diminuir a frequência de uso.
O diretor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da UnB, Caio Frederico e Silva, destaca que mudanças arquitetônicas podem amenizar o calor. Uma técnica eficaz é a construção de telhados com um espaço entre camadas de telhas, que atua como um isolamento térmico. Além disso, árvores como mangueiras podem proporcionar sombra e reduzir a temperatura em até 5ºC. O ideal é também refrescar o entorno da escola com vegetação, o que contribui para um ambiente mais fresco.
Entretanto, a realidade das escolas brasileiras é preocupante. Apenas três em cada dez salas possuem ar-condicionado, e apenas um terço das instituições relatou ter áreas verdes, segundo o Censo Escolar 2023. Muitas escolas são construídas em concreto, o que não só aumenta a temperatura interna, mas também contribui para o aquecimento urbano. A arquiteta Beatriz Goulart aponta que a falta de manutenção e cuidados com jardins leva à cobertura de áreas verdes com cimento, elevando a temperatura em até 5ºC.
Exemplos de sucesso incluem uma escola em Ilhéus, na Bahia, projetada com materiais de bioconstrução como adobe e pé-direito alto, que proporciona um ambiente fresco. A escola também conta com um sistema de reuso de água e ventilação cruzada, permitindo a circulação do ar. No entanto, a construção de mais escolas com materiais naturais enfrenta desafios financeiros, já que o Ministério da Educação restringe repasses para obras que utilizam bambu e argila. A arquiteta Letícia Grappi destaca a necessidade de um programa robusto de construção escolar que atenda às demandas atuais.
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