Um dos itens mais populares nas fantasias de carnaval é a purpurina, também chamada de glitter. Embora traga um toque especial às comemorações, esse material apresenta preocupações ambientais e de saúde. Um estudo do Departamento de Química da PUC-Rio, publicado no *Journal of Trace Elements in Medicine and Biology*, analisou a composição química do glitter […]
Um dos itens mais populares nas fantasias de carnaval é a purpurina, também chamada de glitter. Embora traga um toque especial às comemorações, esse material apresenta preocupações ambientais e de saúde. Um estudo do Departamento de Química da PUC-Rio, publicado no *Journal of Trace Elements in Medicine and Biology*, analisou a composição química do glitter e seu impacto no corpo humano e no meio ambiente. A pesquisa surgiu da preocupação com os microplásticos, já que a purpurina é composta principalmente por plásticos menores que cinco milímetros.
As amostras de glitter coletadas em lojas do Rio de Janeiro revelaram que a composição varia conforme a cor. Por exemplo, o glitter verde apresentou 123 mg/kg de bromo, enquanto o vermelho continha 116 mg/kg de titânio. Embora os níveis de metais estejam dentro dos limites de segurança da ANVISA, a presença excessiva de qualquer elemento pode causar desequilíbrios em ecossistemas. O estudo também simulou o contato com a pele, mostrando que as concentrações liberadas não representam risco imediato à saúde, mas a inalação ou ingestão acidental de partículas ainda requer mais investigação.
Após o carnaval, a purpurina geralmente é levada para o sistema de esgoto durante a lavagem do corpo e roupas, onde pode escapar dos tratamentos convencionais e contaminar rios e oceanos. Essas partículas podem persistir no ambiente por décadas, absorvendo poluentes e afetando a cadeia alimentar, potencialmente chegando aos humanos através de frutos do mar contaminados. Apesar de não haver risco significativo por contato direto, o volume descartado durante as festividades pode causar contaminação ambiental aguda.
Alternativas mais sustentáveis, como o glitter biodegradável feito de celulose vegetal, estão disponíveis no mercado e se degradam rapidamente sem liberar poluentes. A professora Tatiana Dillenburg Saint’Pierre, do Departamento de Química da PUC-Rio, enfatiza a importância de repensar o uso de purpurina e optar por opções que não comprometam o futuro do planeta.
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