Entidades médicas apresentaram à Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) um parecer que defende a inclusão da mamografia de rastreio para todas as mulheres entre 40 e 74 anos. O documento visa alterar os critérios da ANS para a certificação de planos de saúde no novo programa de valorização das boas práticas no tratamento do […]
Entidades médicas apresentaram à Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) um parecer que defende a inclusão da mamografia de rastreio para todas as mulheres entre 40 e 74 anos. O documento visa alterar os critérios da ANS para a certificação de planos de saúde no novo programa de valorização das boas práticas no tratamento do câncer. Em dezembro de 2023, a ANS lançou uma consulta pública para receber contribuições sobre o programa, que gerou protestos devido à exclusão de mulheres abaixo de 50 anos do rastreamento organizado.
O parecer, elaborado por instituições como o Colégio Brasileiro de Radiologia e a Sociedade Brasileira de Mastologia, argumenta que em 2024, 22% das mulheres que morreram por câncer de mama no Brasil tinham menos de 50 anos. Além disso, o aumento de casos de câncer em mulheres mais jovens é destacado, com tumores mais agressivos e maior risco de metástase. As entidades afirmam que a mamografia deve incluir essas mulheres, pois o diagnóstico precoce pode resultar em tratamentos menos invasivos e com menos efeitos colaterais.
Por outro lado, o diretor-geral do Instituto Nacional do Câncer (Inca), Roberto Gil, questiona a efetividade do rastreamento em mulheres abaixo de 50 anos, citando evidências de que essa faixa etária apresenta maior risco de sobrediagnóstico. Gil ressalta que a literatura médica não demonstra aumento de sobrevida nessa faixa etária, argumentando que a maior densidade mamária em mulheres jovens pode levar a resultados falso positivos, exigindo exames adicionais.
A ANS recebeu o parecer em 26 de fevereiro e está analisando as mais de 60 mil contribuições da consulta pública. A agência afirmou que as análises vão fundamentar a proposta final de Certificação Oncológica, que será discutida em nova audiência pública. As sociedades médicas temem que a manutenção do protocolo atual do Inca leve os planos de saúde a negarem exames de rotina para mulheres fora da faixa etária estipulada, mesmo que esses exames estejam cobertos pelo rol obrigatório.
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