Pesquisadores descobriram que, em um estudo realizado em março do ano passado com quase 300 participantes, aqueles com maiores concentrações de plásticos em depósitos de gordura nas artérias apresentavam maior risco de infartos e derrames, além de uma taxa de mortalidade mais elevada. Desde a publicação do estudo no *New England Journal of Medicine*, a […]
Pesquisadores descobriram que, em um estudo realizado em março do ano passado com quase 300 participantes, aqueles com maiores concentrações de plásticos em depósitos de gordura nas artérias apresentavam maior risco de infartos e derrames, além de uma taxa de mortalidade mais elevada. Desde a publicação do estudo no *New England Journal of Medicine*, a pesquisa foi mencionada mais de 6.600 vezes nas redes sociais e em mais de 800 artigos e blogs. A questão da presença de plásticos nos tecidos humanos e seus impactos na saúde tem gerado grande interesse entre cientistas e formuladores de políticas, levando a um clamor por medidas que limitem a exposição a nanoplásticos e microplásticos.
Embora muitos estudos tenham sido realizados, a maioria utiliza tamanhos de amostra pequenos (geralmente entre 20 e 50) e carece de controles adequados. Os laboratórios modernos são focos de poluição por plásticos, e as técnicas de detecção frequentemente não conseguem eliminar a possibilidade de contaminação. Além disso, muitos achados não são biologicamente plausíveis, considerando o que se sabe sobre o movimento de partículas no corpo humano. Sem padrões rigorosos e colaboração entre pesquisadores, a desinformação pode comprometer os esforços para proteger a saúde humana e o meio ambiente.
Desde a introdução do termo “microplástico” em 2004, esses materiais foram encontrados em diversos ambientes, incluindo oceano, rios, solos, alimentos e ar. Um estudo recente estimou que os dinamarqueses inalam cerca de 3.400 partículas de microplástico diariamente em ambientes fechados. Para avaliar o comportamento dessas partículas no corpo humano, é necessário identificar e quantificar plásticos em amostras de sangue e tecidos, utilizando técnicas como a pirólise cromatografia gasosa espectrometria de massas (Py-GCMS), que quebra plásticos em moléculas menores.
Entretanto, essa abordagem apresenta limitações, pois resíduos biológicos podem permanecer nas amostras tratadas, e compostos que indicam a presença de plásticos podem ser gerados a partir de substâncias não plásticas. Embora o polietileno seja frequentemente encontrado em estudos de tecidos humanos, a interpretação dos dados gerados é complexa. Um estudo recente indicou que plásticos representavam 0,65% do cérebro em média, o que equivale a cerca de 4,5 tampas de garrafa de polietileno por pessoa. Contudo, a presença de partículas maiores que 1 µm é questionável, pois estudos anteriores sugerem que elas não conseguem atravessar barreiras biológicas, dificultando a aceitação de conclusões sobre a entrada de plásticos em tecidos humanos.
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