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Avanços na corrida pela vacina da Covid-19 impulsionam tratamentos contra o câncer

- A OMS declarou a Covid-19 como pandemia em 2020, impulsionando a pesquisa vacinal. - Investimentos globais superaram R$ 100 bilhões, com destaque para EUA e UE. - Vacinas de RNA mensageiro, como a da Pfizer, revolucionaram o tratamento de doenças. - Cientistas da Universidade Johns Hopkins agora aplicam mRNA em vacinas contra câncer. - OMS alerta para a necessidade de financiamento contínuo e alta cobertura vacinal.

Em 2020, a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou a Covid-19 como uma pandemia, desencadeando um esforço global sem precedentes para desenvolver vacinas em tempo recorde. Historicamente, a criação de vacinas levava anos, mas, devido à urgência, governos investiram bilhões. Nos Estados Unidos, mais de 18 bilhões de dólares foram alocados para seis vacinas principais, […]

Em 2020, a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou a Covid-19 como uma pandemia, desencadeando um esforço global sem precedentes para desenvolver vacinas em tempo recorde. Historicamente, a criação de vacinas levava anos, mas, devido à urgência, governos investiram bilhões. Nos Estados Unidos, mais de 18 bilhões de dólares foram alocados para seis vacinas principais, enquanto a União Europeia direcionou um bilhão de euros para pesquisas. A infectologista Sue Ann Costa Clemens destacou que “o mundo parou em um projeto: a Covid”, refletindo a colaboração intensa entre cientistas.

As agências regulatórias também aceleraram a aprovação das vacinas. Diferentes países adotaram abordagens variadas: a China desenvolveu a Coronavac usando vírus inativado, enquanto a Rússia criou a Sputnik, a primeira vacina registrada, utilizando um vetor viral. A Pfizer, por sua vez, inovou com a técnica de RNA mensageiro, que ensina as células a produzir proteínas do coronavírus, uma abordagem que não utiliza partes do vírus para gerar imunidade.

A vacinação começou em dezembro de 2020, com Margaret Keenan, de 90 anos, sendo a primeira a receber a vacina da Pfizer. Nos Estados Unidos, a enfermeira Sandra Lindsay foi a primeira imunizada, e no Brasil, Mônica Calazans, enfermeira de 54 anos, foi a pioneira. O uso do RNA mensageiro representou um avanço significativo, e atualmente, cientistas da Universidade Johns Hopkins exploram essa tecnologia para vacinas contra o câncer, mostrando seu potencial além da Covid-19.

Além das vacinas, a busca por tratamentos levou à descoberta do Remdesivir, um antiviral inicialmente desenvolvido para a Hepatite C, que se mostrou eficaz contra a Covid-19. O médico André Kalil ressaltou que o Remdesivir continua sendo o único medicamento endovenoso aprovado pela FDA com eficácia comprovada contra o Sars-Cov-2. Contudo, a OMS enfatiza a necessidade de financiamento contínuo para manter os esforços de pesquisa. A cobertura vacinal é crucial para a proteção coletiva, mas no Brasil, a vacinação ainda não alcança os 90% necessários, conforme analisou Dimas Covas, ex-diretor do Instituto Butantan. A infectologista Sue Ann Clemens alerta que novas pandemias são inevitáveis e destaca a importância de estarmos preparados.

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