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Protestos de trabalhadoras da saúde em Kerala buscam reconhecimento e melhores salários

- Ashas em Kerala protestam por reconhecimento e melhores salários, buscando status de trabalhadoras. - O ministro da saúde estadual propôs ao governo federal o reconhecimento das Ashas. - Protestos revelam a desvalorização sistêmica das trabalhadoras de saúde no país. - Ashas desempenham papel vital na saúde rural, especialmente durante pandemias e surtos. - Demandam aumento do honorário de 7 mil para 21 mil rúpias e benefícios de aposentadoria.

Milhares de trabalhadores da saúde em Kerala, no sul da Índia, continuam suas manifestações por melhores salários e reconhecimento. As 26.225 mulheres, conhecidas como Asha (Acreditadas como Agentes de Saúde), têm protestado em frente à sede do governo em Thiruvananthapuram. Elas planejam “cercar” o secretariado estadual na próxima semana, caso suas demandas não sejam atendidas. […]

Milhares de trabalhadores da saúde em Kerala, no sul da Índia, continuam suas manifestações por melhores salários e reconhecimento. As 26.225 mulheres, conhecidas como Asha (Acreditadas como Agentes de Saúde), têm protestado em frente à sede do governo em Thiruvananthapuram. Elas planejam “cercar” o secretariado estadual na próxima semana, caso suas demandas não sejam atendidas. As Ashas, que somam mais de um milhão em todo o país, lutam por salários justos e status de “trabalhadoras”, já que atualmente são consideradas voluntárias, sem garantias de benefícios.

O deputado Shashi Tharoor descreveu as Asha como “heróis não reconhecidos” do sistema de saúde indiano, ressaltando a desvalorização sistêmica dos trabalhadores comunitários. O ministro da Saúde do país anunciou que o governo aumentará os incentivos, enquanto autoridades de Kerala liberaram três meses de pagamentos pendentes. A saúde do estado também solicitou ao governo federal que reconheça essas mulheres como trabalhadoras regulares. No entanto, o governo estadual defende que a remuneração oferecida é a mais alta do país.

As Ashas recebem um honorário de 7.000 rúpias e pedem um aumento para 21.000 rúpias (cerca de $240,8). A ministra da Saúde, Veena George, afirmou que 90% das Ashas ganham entre 10.000 e 13.500 rúpias mensais, incluindo incentivos. Contudo, algumas manifestantes contestam essas afirmações, como Kuzhipparamba Thankamony, que relatou ter recebido apenas 6.300 rúpias em outubro de 2024, após deduções por faltas. A coordenadora Saboora Arifa enfatizou que “quem trabalha oito horas por dia não é voluntário” e reivindicou o status de trabalhadora.

As Ashas desempenham um papel vital na saúde pública, especialmente em áreas remotas, realizando visitas domiciliares para promover saúde e nutrição. Elas foram essenciais durante a pandemia de Covid-19 e na contenção de surtos de vírus como Zika e Nipah. O analista de políticas de saúde Dr. Joe Thomas destacou a necessidade de mudar a percepção sobre essas trabalhadoras, que substituíram parte do trabalho de parteiras em Kerala. As Asha são fundamentais para o sucesso da vacinação no estado, que alcançou 99% de cobertura vacinal. A mobilização em Kerala é parte de um movimento maior, com protestos semelhantes ocorrendo em outros estados, como Karnataka e Andhra Pradesh, que já aumentaram os honorários e garantiram benefícios para essas trabalhadoras.

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