O Instituto de Saúde Carlos III da Espanha registrou os cinco primeiros casos de um enterovírus raro em crianças, associado a doenças respiratórias e neurológicas. A vigilância sobre essa doença foi reforçada, especialmente após análises filogenéticas que identificaram um novo linhagem, chamada C1, com quatro mutações que podem aumentar a capacidade do vírus de evadir […]
O Instituto de Saúde Carlos III da Espanha registrou os cinco primeiros casos de um enterovírus raro em crianças, associado a doenças respiratórias e neurológicas. A vigilância sobre essa doença foi reforçada, especialmente após análises filogenéticas que identificaram um novo linhagem, chamada C1, com quatro mutações que podem aumentar a capacidade do vírus de evadir o sistema imunológico e se espalhar mais rapidamente. O enterovírus em questão é o genótipo C105 (EV-C105), que não apresentava casos confirmados no país desde o início da vigilância em 2006.
Os dados foram publicados na revista Eurosurveillance e revelam que os casos ocorreram em crianças entre dois e dez anos, com um paciente hospitalizado por meningite e outro por paralisia flácida aguda. Até agora, apenas dois casos globais do EV-C105 estavam associados a condições neurológicas, e a pesquisa atual confirma sua presença em casos respiratórios e sua ligação com doenças neurológicas. As autoras destacam que a aparição recente do vírus na Europa pode representar um novo desafio à saúde pública.
Desde 2023, o EV-C105 tem mostrado um aumento em países como Reino Unido, Eslovênia, Itália, Países Baixos e Bélgica, mas ainda há escassez de dados clínicos e genômicos. As pesquisadoras enfatizam a necessidade de fortalecer a vigilância genômica e ampliar as bases de dados sobre o EV-C105, dada sua capacidade de causar doenças graves e sua rápida disseminação. A vigilância é crucial para identificar possíveis cepas C1 que possam estar causando mais infecções neurológicas em crianças na Europa.
Um dos desafios é a dificuldade de detecção do enterovírus. O Instituto conseguiu identificá-lo em hospitais com painéis respiratórios, mas alerta que alguns métodos comerciais podem não ser eficazes, resultando em subnotificação de casos. Além disso, a escolha das amostras clínicas é fundamental, pois enterovírus respiratórios, como o EV-D68, raramente são detectados em fezes. Os dois pacientes com doenças neurológicas foram diagnosticados por amostras respiratórias, levando as pesquisadoras a sugerir a coleta de ambos os tipos de amostras para um diagnóstico mais preciso.
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