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Plantas zumbis: a surpreendente capacidade de ressurgir após longas secas

Cientistas buscam transferir a resistência à seca das plantas de ressurreição para culturas agrícolas, visando mitigar os efeitos das mudanças climáticas.

Jill Farrant, professora da Universidade da Cidade do Cabo, na África do Sul, começou a estudar plantas que possuem a capacidade de sobreviver longos períodos sem água, conhecidas como plantas de ressurreição. Essas plantas, que podem ficar sem água por seis meses ou mais, apresentam folhas marrons e frágeis, mas rapidamente se recuperam ao receber […]

Jill Farrant, professora da Universidade da Cidade do Cabo, na África do Sul, começou a estudar plantas que possuem a capacidade de sobreviver longos períodos sem água, conhecidas como plantas de ressurreição. Essas plantas, que podem ficar sem água por seis meses ou mais, apresentam folhas marrons e frágeis, mas rapidamente se recuperam ao receber água, voltando a ser verdes em poucas horas. Dentre as 352 mil espécies de plantas com flores, apenas 240 têm essa habilidade, que evoluiu independentemente em diferentes grupos, principalmente na África do Sul, Austrália e América do Sul.

Essas plantas são notáveis não apenas pela sua resistência à seca, mas também pela forma como se recuperam. Enquanto a maioria das plantas morre com a perda de 10% a 30% de água, as plantas de ressurreição suportam perdas superiores a 95%. O cientista Carlos Messina destaca que, ao reidratar, essas plantas mantêm a mesma estrutura de folhas, ao contrário do milho, que não retorna à sua forma original, comprometendo a produção. Essa habilidade é resultado de um processo chamado vitrificação, onde as células se transformam em uma substância viscosa, preservando a estrutura celular.

Com as mudanças climáticas aumentando a frequência e a intensidade das secas, a pesquisa sobre a tolerância à dessecação se torna crucial. Farrant e outros cientistas buscam maneiras de transferir essa resistência para culturas agrícolas, como milho e trigo, utilizando tecnologias de edição genética, como o Crispr. Recentemente, pesquisadores introduziram um gene de uma planta de ressurreição em batatas-doces, aumentando sua resistência à desidratação sem comprometer o crescimento.

Além disso, Farrant investiga o microbioma das raízes de plantas como o Myrothamnus flabellifolia, que também sobrevive longos períodos sem água. O objetivo é entender como esses microrganismos podem ajudar outras plantas a lidar com a escassez hídrica. O tef, um cereal etíope, é outro foco de pesquisa, pois é parente próximo de uma planta de ressurreição. A identificação de genes que conferem resistência pode levar a avanços significativos na agricultura, permitindo que culturas se adaptem melhor a condições climáticas adversas.

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