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Jornais acadêmicos são alvo de ‘snatchers’ que transformam publicações respeitáveis em predatórias

Estudo revela que empresas estão transformando periódicos acadêmicos em publicações predatórias, elevando taxas e comprometendo a qualidade da pesquisa.

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Pesquisadores alertam que empresas estão comprando periódicos científicos respeitados e transformando-os em publicações de baixa qualidade. Um estudo recente identificou 36 periódicos afetados, mostrando que empresas como a Oxbridge Publishing House estão oferecendo grandes quantias em dinheiro para adquirir esses títulos. Após a compra, as taxas de publicação aumentam e os artigos publicados muitas vezes fogem do tema original da revista. A base de dados Scopus já retirou esses periódicos de seu índice. As empresas envolvidas não têm experiência na área editorial e adotam práticas que priorizam o lucro em vez da qualidade da pesquisa. A Oxbridge nega as acusações e afirma que seu papel é apenas operacional, sem envolvimento nas decisões editoriais. Além disso, muitos periódicos não informam sobre a nova propriedade, dificultando a identificação das empresas por trás dessas mudanças. Alguns pesquisadores relataram ter sido listados como editores sem seu consentimento, o que levanta preocupações sobre a integridade da pesquisa científica.

Empresas compram periódicos científicos e transformam em publicações predatórias

Análise identifica 36 periódicos afetados por empresas que elevam taxas e alteram o escopo dos artigos.

Pesquisadores alertam para o crescente fenômeno de empresas que adquirem periódicos científicos respeitados e os transformam em publicações de baixa qualidade, com práticas questionáveis. Um estudo recente identificou 36 periódicos impactados por essa prática, revelando um esquema que preocupa a comunidade acadêmica.

As empresas, como a Oxbridge Publishing House, oferecem valores que chegam a centenas de milhares de euros por periódicos indexados em bases de dados relevantes. Após a aquisição, observa-se um aumento nas taxas de publicação e uma mudança no foco dos artigos, com a publicação de estudos fora do escopo original da revista.

O estudo, publicado no repositório de preprints Zenodo, aponta que a Scopus, importante base de dados acadêmica, retirou os títulos de seu índice após a investigação. “Identificamos pelo menos 36 periódicos, mas acreditamos que o número possa ser maior”, afirma Alberto Martín-Martín, cientista da informação da Universidade de Granada, na Espanha, e coautor da pesquisa.

Práticas predatórias em ascensão

A análise revelou que as empresas envolvidas, registradas em países como Reino Unido, Singapura e Malásia, não possuem histórico na indústria editorial. Após a compra, os periódicos adotam práticas típicas de editoras predatórias, priorizando o lucro em detrimento da qualidade da pesquisa.

A Oxbridge Publishing House nega as alegações, afirmando que não é uma editora e que não tem envolvimento nas decisões editoriais dos periódicos que representa. A empresa alega que seu papel é operacional, focando em produção, formatação, distribuição e gestão de receita.

Impacto na integridade da pesquisa

A falta de transparência sobre a nova propriedade dos periódicos é outro ponto crítico. Em muitos casos, as revistas não divulgam informações sobre o novo proprietário em seus sites, dificultando a identificação das empresas por trás do esquema.

Em alguns casos, pesquisadores relataram ter sido falsamente listados como editores nos sites dos periódicos. A prática levanta sérias preocupações sobre a integridade da pesquisa científica e a confiabilidade das publicações acadêmicas.

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