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Crescimento dos diagnósticos de autismo nos EUA gera polêmica sobre suas causas

Estudo do governo dos EUA busca causas para aumento de diagnósticos de autismo, ignorando consenso científico sobre melhor identificação do transtorno.

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O secretário de Saúde dos EUA, Robert F. Kennedy Jr., anunciou um estudo para investigar o aumento dos diagnósticos de Transtorno do Espectro Autista (TEA), que ele chamou de “epidemia de autismo”. O número de diagnósticos cresceu de 1 em cada 150 crianças em 2000 para 1 em cada 36 em 2020. Especialistas, no entanto, afirmam que não há uma única causa para esse aumento e que a ideia de uma “epidemia” é enganosa. Eles explicam que o TEA está relacionado a mudanças no desenvolvimento cerebral e que cerca de 80% dos casos podem ser devidos a mutações genéticas. O aumento nos diagnósticos pode ser resultado de melhores métodos de identificação e maior conscientização, especialmente sobre sinais mais sutis do transtorno. A alegação de que vacinas causam autismo foi refutada por estudos, e o Instituto Nacional de Saúde dos EUA afirma que não há ligação entre vacinas e autismo. Apesar disso, o CDC começou um novo estudo sobre o assunto. A comunidade do autismo recebeu o anúncio de Kennedy com ceticismo, considerando que os recursos poderiam ser melhor utilizados para ajudar as pessoas autistas. A discussão sobre as causas e tratamentos do TEA continua.

O Departamento de Saúde e Serviços Humanos (HHS) dos EUA encomendou um estudo para investigar o aumento dos diagnósticos de Transtorno do Espectro Autista (TEA), conforme anunciado pelo secretário de Saúde, Robert F. Kennedy Jr. O objetivo é identificar as causas do que Kennedy chamou de “epidemia de autismo” até setembro deste ano.

O número de diagnósticos de TEA nos EUA tem crescido consistentemente. Em 2020, 1 em cada 36 crianças recebeu o diagnóstico, um aumento significativo em relação a 2000, quando a taxa era de 1 em cada 150. Apesar disso, especialistas refutam a ideia de uma “epidemia” com causas únicas e rapidamente identificáveis.

Neurocientistas como Geoff Bird, da Universidade de Oxford, questionam a viabilidade de identificar as causas em poucos meses, considerando décadas de pesquisa médica. Segundo Bird, a ideia de uma descoberta repentina “não é realista”. A literatura médica aponta que o TEA está ligado a alterações no desenvolvimento cerebral no início da vida.

Estudos indicam que cerca de 80% dos casos de autismo podem estar relacionados a mutações genéticas hereditárias, embora a causa exata ainda não seja totalmente compreendida. Mutações em genes como o MECP2 afetam a estrutura e conectividade dos neurônios, mas a ligação direta com o autismo ainda não é clara.

Especialistas defendem que o aumento dos diagnósticos pode estar associado à melhor notificação do transtorno e à evolução dos critérios diagnósticos. A conscientização e a inclusão de sinais mais sutis, especialmente em meninas, contribuem para a identificação precoce e mais ampla do TEA.

O movimento da neurodiversidade também influenciou critérios diagnósticos mais amplos. A conscientização sobre o autismo permite que mais pessoas busquem avaliação e diagnóstico, encontrando respostas e suporte. A alegação de que vacinas causam autismo foi repetidamente refutada por estudos científicos rigorosos.

Em 1998, um estudo que sugeria uma ligação entre a vacina MMR e problemas no desenvolvimento cerebral foi retratado devido a erros graves. O Instituto Nacional de Saúde (NIH) dos EUA afirma que não há ligação entre o autismo e as vacinas, incluindo aquelas com timerosal.

Apesar das pesquisas anteriores indicarem a ausência de ligação, o CDC iniciou um novo estudo sobre vacinas e autismo. O secretário Kennedy, que já questionou a segurança das vacinas, minimizou um surto de sarampo no Texas que resultou em duas mortes de crianças não vacinadas.

Defensores da comunidade do autismo receberam o anúncio de Kennedy com ceticismo. A Associação Nacional do Autismo do Reino Unido classificou a afirmação como um “golpe publicitário de notícias falsas” e defendeu que os recursos seriam mais bem empregados na melhoria da vida das pessoas autistas.

Alguns grupos argumentam que o autismo não é uma doença e, portanto, não precisa ser “curado”, enquanto outros defendem que a busca por tratamentos é importante para aqueles que sofrem com os impactos do transtorno. A discussão sobre as causas e abordagens do TEA continua em aberto.

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