Um estudo da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) mostrou que a pecuária no Brasil emite mais do que o dobro do que o país precisa para cumprir suas metas de redução de gases de efeito estufa. A pesquisa analisou dados de 2000 a 2020 e prevê que as emissões cheguem a até 0,63 gigatoneladas de CO2 equivalente até 2030, enquanto o limite estabelecido era de 0,26 gigatoneladas. As emissões são calculadas com base na produção de carne bovina, que gera 51,86 toneladas de carbono equivalente por tonelada de carne. O estudo também apontou que o custo social do carbono pode chegar a US$ 42,6 bilhões até 2030, caso as metas sejam cumpridas. Esses recursos poderiam ser usados para práticas de produção mais sustentáveis. A pesquisadora Mariana Vieira da Costa destacou a importância de discutir a produção atual, que está ligada ao desmatamento e altas emissões, e a necessidade de adotar métodos que reduzam esses impactos.
Pecuária brasileira emite o dobro do limite para metas climáticas, aponta estudo
Um estudo da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) revelou que a pecuária brasileira emite mais do que o dobro do limite necessário para o país cumprir suas metas ambientais internacionais. A pesquisa, com apoio da Fapesp, analisou dados de 2000 a 2020 e projeta emissões de 0,42 a 0,63 gigatonelada de CO2 equivalente (GtCO2e) até 2030.
Emissões acima do esperado
O limite estabelecido na Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC), acordo assinado em 2015, era de 0,26 GtCO2e. A NDC previa redução de 43% nas emissões até 2030, em comparação com os níveis de 2005. Em novembro de 2023, o Brasil atualizou o compromisso, visando reduzir as emissões líquidas entre 850 milhões e 1,05 bilhão de toneladas de CO2 equivalente até 2035.
Cálculo das emissões
As pesquisadoras calcularam a taxa média de emissão de CO2 por tonelada de carne produzida, chegando a 51,86 tonelada de carbono equivalente por tonelada de carne bovina. Esse valor foi projetado com base nas previsões de produção do Ministério da Agricultura para a década atual. O estudo não inclui emissões indiretas, como desmatamento e uso de máquinas agrícolas.
Custo social do carbono
A pesquisa também quantificou o impacto financeiro das emissões na sociedade, utilizando o indicador de custo social do carbono (CSC). Os cálculos indicam um potencial de redução de custos entre US$ 18,8 bilhões e US$ 42,6 bilhões até 2030, caso as metas sejam cumpridas.
Investimento em práticas sustentáveis
Os recursos economizados poderiam ser investidos em práticas de produção pecuária mais sustentáveis, por meio de políticas públicas e linhas de crédito acessíveis. A bióloga Mariana Vieira da Costa, primeira autora do estudo, ressaltou a importância do setor para a economia e o cardápio dos brasileiros.
Necessidade de mitigação
“Nosso objetivo não é dizer para produzir ou comer menos carne, mas sim discutir a forma atual de produção, que está atrelada ao desmatamento e altas emissões”, afirmou a pesquisadora. Ela enfatizou a necessidade de adotar práticas que mitiguem as emissões na cadeia produtiva, contribuindo para a redução dos custos associados às mudanças climáticas.
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