Menos de 0,5% dos pacientes com bactérias multirresistentes no Brasil conseguem tratamento adequado com antibióticos, segundo um estudo da GARDP. Esse número é muito baixo, especialmente quando comparado à média de 6,9% em outros países de média e baixa renda. A resistência antimicrobiana é um problema sério que causa milhões de mortes anualmente, e no Brasil, cerca de 101 mil casos de infecções resistentes foram registrados, mas apenas 363 receberam o tratamento necessário. A pesquisa destaca que a falta de diagnóstico correto e o acesso limitado a medicamentos são grandes desafios. Especialistas afirmam que é preciso entender melhor por que as pessoas não estão recebendo o tratamento adequado e que novos medicamentos são necessários para combater as bactérias resistentes.
Menos de 0,5% dos pacientes brasileiros com bactérias multirresistentes têm acesso a tratamentos adequados. Essa informação alarmante foi revelada por um estudo da Parceria Global de Pesquisa e Desenvolvimento de Antibióticos (GARDP), publicado na revista *The Lancet Infectious Diseases*. A resistência antimicrobiana (RAM) é uma das dez principais ameaças à saúde pública, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).
Em 2019, as superbactérias causaram diretamente 1,27 milhão de mortes no mundo, superando óbitos por malária e Aids. A RAM também foi associada a 4,95 milhões de mortes indiretas. As projeções indicam que, até 2050, o número de mortes diretas pode chegar a 1,9 milhão anualmente, um aumento de 67% em relação a 2021.
Os pesquisadores analisaram dados de oito países de média e baixa renda, incluindo Brasil, e encontraram que apenas 0,36% dos pacientes brasileiros com infecções por bactérias resistentes a antibióticos receberam o tratamento necessário. No total, foram cerca de 101 mil casos no Brasil, com apenas 363 pacientes recebendo os medicamentos adequados.
Desafios no Diagnóstico e Tratamento
A diretora de Acesso Global da GARDP, Jennifer Cohn, destacou que a falta de acesso a antibióticos é uma dura realidade para muitos em países de baixa e média renda. Ela enfatizou que, embora o uso inadequado de antibióticos contribua para a RAM, a dificuldade de acesso ao tratamento adequado é igualmente preocupante.
A professora de Infectologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) ressaltou que a resistência microbiana é uma questão negligenciada no Brasil. Ela apontou a necessidade de entender as lacunas no diagnóstico e no tratamento, que podem estar levando à subnotificação de casos.
Necessidade de Novos Fármacos
Os pesquisadores também alertaram sobre a urgência de desenvolver novos fármacos para combater as bactérias resistentes. A rápida disseminação desses microrganismos, especialmente em ambientes hospitalares, torna o desenvolvimento de tratamentos eficazes um desafio. A dificuldade é agravada pelo baixo retorno financeiro para as indústrias farmacêuticas, que preferem investir em medicamentos para doenças crônicas.
A situação exige uma abordagem multifacetada, incluindo melhorias no diagnóstico e acesso a tratamentos adequados, para enfrentar a crescente ameaça da resistência antimicrobiana.
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