Marcelo Leite participou de um estudo clínico na Universidade Federal do Rio Grande do Norte, onde inalou DMT, uma substância da jurema-preta, planta usada na religião catimbó. Ele descreve a experiência como intensa, com sensações de leveza e cores vibrantes. O uso de DMT tem mostrado efeitos antidepressivos rápidos e duradouros, o que é promissor, já que muitos antidepressivos comuns não funcionam para uma parte significativa dos pacientes. Leite também discute a diferença de percepção entre a jurema e a ayahuasca, destacando que a jurema é menos conhecida e frequentemente associada a estigmas negativos. Ele acredita que a jurema, que tem raízes afroindígenas, merece mais atenção e respeito, especialmente com o avanço das pesquisas sobre substâncias psicodélicas. O Instituto do Cérebro da UFRN está tentando integrar essas substâncias no Sistema Único de Saúde, apesar da resistência conservadora. Nos Estados Unidos, há um movimento crescente para explorar o uso de psicodélicos em tratamentos, especialmente entre veteranos de guerra.
Marcelo Leite participou de um estudo clínico na Universidade Federal do Rio Grande do Norte, onde inalou DMT, substância extraída da jurema-preta. O experimento, que investiga os efeitos antidepressivos do DMT, é parte da obra “A Ciência Encantada de Jurema”. O livro é uma continuação de reportagens publicadas por Leite em 2022, que abordaram a história e a importância cultural da jurema na religião catimbó.
A jurema-preta, planta psicodélica com raízes afroindígenas, foi alvo de perseguições históricas. Leite descreve sua experiência com a substância, relatando uma sensação de “leveza enorme” e uma “partida vertiginosa”. A Organização Mundial da Saúde aponta que cinco por cento da população adulta sofre de depressão, e os antidepressivos convencionais não são eficazes para um terço dos pacientes. O uso de DMT pode oferecer uma alternativa, com estudos mostrando efeitos rápidos e sustentados na redução dos sintomas depressivos.
Integração no SUS
Leite destaca a busca por integrar substâncias psicoativas, como o DMT, no Sistema Único de Saúde (SUS). Apesar da resistência conservadora, há um movimento crescente para explorar o potencial terapêutico dessas substâncias. O autor observa que a percepção cultural da jurema é menos popular em comparação com a ayahuasca, que tem uma imagem mais romantizada. A jurema, frequentemente praticada em segredo, carrega um estigma que limita sua aceitação.
A obra de Leite também explora a relação entre ciência e espiritualidade, especialmente através do trabalho do Instituto do Cérebro da UFRN. O estudo clínico com DMT inalado é pioneiro e busca legitimar o uso de psicodélicos na medicina. A discussão sobre a aceitação dessas práticas é relevante, especialmente em um contexto onde figuras públicas nos Estados Unidos defendem a pesquisa com substâncias psicodélicas para tratamentos de saúde mental.
O livro “A Ciência Encantada de Jurema” será lançado no dia oito de maio, às 19h, na Livraria Martins Fontes, em São Paulo. A obra promete trazer uma nova perspectiva sobre a jurema-preta e seu potencial no tratamento da depressão.
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