Células tumorais podem se espalhar para o cérebro, onde ficam protegidas do sistema imunológico. Pesquisadores de Alagoas e São Paulo descobriram que essas células emitem sinais químicos que ajudam na passagem pela barreira hematoencefálica, utilizando proteínas como VEGF e integrinas para se instalar no cérebro. Esse estudo analisou mais de 128 mil células de tumores cerebrais que surgiram a partir de cânceres em outros órgãos, como pulmão e mama. As metástases cerebrais são muito mais comuns que os tumores que se formam diretamente no cérebro. Os cientistas identificaram que as células tumorais produzem uma proteína que estimula a formação de novos vasos sanguíneos, facilitando sua entrada no cérebro. Além disso, elas liberam substâncias que ajudam a não serem reconhecidas como invasoras. Os pesquisadores pretendem estudar também os tumores que se formam diretamente no cérebro para entender melhor como as células tumorais se espalham.
Pesquisadores de Alagoas e São Paulo descobriram que células tumorais emitem sinais químicos que facilitam sua passagem pela barreira hematoencefálica, permitindo que se instalem no cérebro. Essa descoberta foi publicada na revista *Brain Research* em março de 2025.
As metástases cerebrais são 10 vezes mais comuns que os tumores primários e representam 6% de todos os casos de câncer anualmente. Estima-se que 20% das pessoas com câncer, especialmente de pulmão, mama, intestino e rins, desenvolvam metástases no cérebro. Uma vez lá, as células tumorais ficam protegidas das defesas do organismo.
Os pesquisadores analisaram 128.421 células de 36 amostras de tumores cerebrais resultantes de metástases. Utilizando técnicas como o sequenciamento de RNA de célula única, observaram interações entre células tumorais, astrócitos e células da barreira hematoencefálica. O biólogo Carlos Fraga, da Universidade Federal de Alagoas, destacou que a técnica de transcriptômica espacial permitiu mapear a atividade gênica no tecido cerebral.
Mecanismos de Invasão
O estudo revelou que as células tumorais produzem o fator de crescimento endotelial vascular (VEGF), que estimula a formação de novos vasos sanguíneos, facilitando a passagem das células tumorais. Além disso, outras substâncias aumentam a permeabilidade vascular, permitindo a infiltração no cérebro.
As células tumorais também liberam integrinas, que ajudam a evitar o reconhecimento como invasoras pelos astrócitos, permitindo que se multipliquem entre as células nervosas. Genes como ITGA8, NRP1 e PLXND1 são mediadores dessa interação.
O médico Roger Chammas, do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo, comentou que a identificação de mecanismos comuns entre diferentes tipos de células tumorais é um avanço significativo. A equipe de pesquisa planeja investigar também os tumores primários, como os glioblastomas, para entender melhor o trajeto das células tumorais.
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