A síndrome congênita associada ao vírus Zika, que afeta principalmente crianças do Nordeste do Brasil, está completando dez anos e ainda traz muitos desafios. Essas crianças, que muitas vezes nascem com microcefalia, precisam de cuidados médicos caros, e suas famílias enfrentam dificuldades financeiras. Atualmente, elas recebem apenas uma pensão de um salário mínimo, que não é suficiente para cobrir os custos com saúde. Muitas mães, como Angélica Oliveira, estão endividadas e dependem de doações para cuidar de seus filhos. Um projeto de lei que poderia aumentar a indenização e a pensão mensal foi vetado pelo presidente Lula, gerando protestos e mobilizações para tentar derrubar o veto. As mães esperam que o governo reconheça a necessidade de apoio, já que a falta de assistência médica tem levado a um aumento no número de óbitos entre essas crianças. A situação se agravou desde 2017, quando a epidemia de Zika deixou de ser uma emergência, e as mães continuam lutando por melhores condições de tratamento e inclusão.
A síndrome congênita associada à infecção do vírus Zika (SCZ) completa uma década, afetando principalmente crianças do Nordeste do Brasil. Desde a epidemia de 2015-2016, essas crianças enfrentam graves sequelas, como a microcefalia, e suas famílias lidam com dificuldades financeiras e de assistência médica.
Atualmente, mães de crianças com SCZ, como Angélica Oliveira, relatam endividamento extremo para cobrir despesas médicas. Angélica, que cuida de sua filha em Salvador, afirma ter uma dívida de R$ 180 mil e gastos anuais de cerca de R$ 100 mil. A pensão que recebem, de um salário mínimo, não é suficiente para arcar com as necessidades básicas, como planos de saúde e terapias.
A situação se agrava com o veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao projeto de lei que previa indenizações e pensões para essas famílias. O projeto, que já havia sido aprovado pelo Congresso, propunha uma indenização de R$ 50 mil e uma pensão mensal no teto do INSS, mas foi vetado em janeiro de 2024. As associações de mães, como a Unizika, mobilizam-se para derrubar o veto, alegando que a falta de assistência tem levado à morte de crianças com SCZ.
Mobilização e Esperança
A votação para derrubar o veto está marcada para o dia 27 de maio. As mães esperam que a medida traga alívio financeiro e melhore a qualidade de vida de suas crianças. A senadora Mara Gabrilli, autora do projeto, destaca que o país deve reparação às famílias afetadas pela SCZ, argumentando que os custos para implementar a pensão seriam baixos.
Desde 2017, a assistência às crianças com SCZ tem piorado, segundo Germana Soares, fundadora da União Mães de Anjos. Ela afirma que a falta de serviços e profissionais capacitados tem contribuído para um aumento no número de óbitos. A pesquisa da Fiocruz revela que essas crianças têm 22 vezes mais risco de morte.
A epidemia de Zika, que afetou mais de 1,5 milhão de pessoas, deixou um legado de vulnerabilidade. As mães continuam lutando por melhores condições de tratamento e inclusão, enfrentando um sistema de saúde que, segundo elas, não prioriza suas necessidades.
Entre na conversa da comunidade