O trabalho doméstico no Brasil está mudando. Nos últimos dez anos, o número de cuidadores pessoais, principalmente de idosos, quase dobrou. Isso acontece porque a população está envelhecendo e muitas famílias não têm mais pessoas disponíveis para cuidar dos mais velhos. Apesar desse aumento, a maioria dos cuidadores ainda enfrenta condições ruins de trabalho, como a informalidade e baixos salários. A maioria deles são mulheres, muitas vezes negras, que trabalham em jornadas longas e não têm direitos garantidos. A demanda por cuidadores cresce, mas as políticas públicas para apoiar essa área ainda são fracas. Muitas cuidadoras, como Lucicléia e Thamíris, precisam fazer malabarismos entre diferentes empregos para sustentar suas famílias. A falta de serviços especializados também faz com que as famílias contratem cuidadores, especialmente as de classe média e alta. A situação é complicada, pois essas profissionais muitas vezes não têm tempo para cuidar de seus próprios parentes.
O trabalho doméstico remunerado no Brasil está passando por transformações significativas. Nos últimos dez anos, a proporção de cuidadores pessoais quase dobrou, refletindo a crescente demanda por assistência a idosos. Atualmente, 21% dos empregados domésticos, cerca de 1,24 milhão, atuam como cuidadores, um aumento em relação a 13,9% em 2014.
O envelhecimento da população é um dos principais fatores dessa mudança. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) projeta que, até 2070, mais de 40% da população terá mais de 65 anos. Com menos familiares disponíveis para cuidar dos idosos, a necessidade de cuidadores profissionais se intensifica. A economista Cristina Vieceli destaca que a falta de políticas públicas adequadas agrava a situação, com a maioria dos cuidadores ainda em condições precárias.
Crescimento da Profissão
Lucicléia de Oliveira, de 42 anos, é um exemplo dessa nova realidade. Após 17 anos como diarista, ela começou a cuidar de idosos e percebeu a necessidade de um cuidado especializado. A informalidade ainda é um grande desafio, com 79% dos cuidadores sem carteira assinada. A média salarial é de R$ 1.482, mas muitos trabalham em condições de alta carga horária e baixa remuneração.
Thamíris Silva, de 33 anos, também atua como cuidadora e ressalta a responsabilidade da profissão, que muitas vezes é desvalorizada. Apesar de serem mais escolarizadas que as empregadas de serviços gerais, as cuidadoras enfrentam jornadas longas e salários baixos. A situação é semelhante para as babás, que têm uma renda média ainda menor.
Desafios e Oportunidades
A crescente demanda por cuidadores é impulsionada por fatores como casamentos menos duradouros e a migração de filhos para outras cidades. Ana Amélia Camarano, economista do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), observa que isso cria um mercado de trabalho para cuidadores, especialmente para mulheres. As agências e plataformas de cuidados domiciliares estão se tornando mais comuns.
A Política Nacional de Cuidados, publicada em 2024, ainda carece de regulamentação e planos concretos. A falta de infraestrutura para serviços especializados, como os Centros Dia, contribui para a dependência de cuidadores informais. A situação atual exige atenção e ação para garantir melhores condições de trabalho e direitos para esses profissionais essenciais.
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