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Gaza enfrenta crise de saúde mental enquanto profissionais lutam para ajudar a população

Cerca de um milhão de crianças em Gaza precisam de apoio psicológico, enquanto profissionais enfrentam desafios em meio à guerra.

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O psiquiatra Yasser Abu Jamei, que dirige uma ONG em Gaza, destaca a grave situação psicológica da população, especialmente das crianças, devido aos conflitos e ao bloqueio. Ele menciona que a ONG, que já atua há 30 anos, enfrenta dificuldades logísticas e falta de recursos, mas continua oferecendo apoio psicológico. Atualmente, cerca de 100 profissionais visitam famílias e refugios, mas ainda há muitas áreas inacessíveis. A UNICEF estima que quase todos os crianças em Gaza precisam de ajuda psicológica. Os traumas acumulados ao longo dos anos, somados à atual guerra, têm um impacto profundo na saúde mental da população. Abu Jamei observa que muitos adultos se sentem culpados por não conseguirem prover o básico para seus filhos, enquanto as crianças apresentam sinais de estresse, como medo constante e dificuldades para se alimentar. Apesar das dificuldades, a ONG conseguiu ajudar algumas crianças a se reerguerem e voltarem a se comunicar. No entanto, o trabalho é limitado até que a violência cesse e as condições de vida melhorem. A organização recebe apoio de países europeus e de algumas ONGs, mas a continuidade do financiamento é incerta devido à situação política.

O psiquiatra Yasser Abu Jamei, diretor do Programa Comunitário de Saúde Mental de Gaza (GCMHP), destaca a grave situação psicológica da população local, especialmente das crianças, em meio ao conflito atual. A ONG, que atua há trinta anos, enfrenta desafios logísticos e escassez de recursos, mas continua a oferecer suporte psicológico.

Atualmente, cem profissionais da GCMHP trabalham diariamente em Gaza, visitando famílias e atendendo em abrigos. A falta de combustível e a insegurança dificultam o acesso a algumas áreas, mas a equipe se recusa a permanecer inerte diante da destruição social. “O que opção há? Sentar e assistir?”, questiona Abu Jamei.

A UNICEF estima que um milhão de crianças em Gaza necessitam de apoio psicológico. O trauma acumulado ao longo de dezoito anos de bloqueio e conflitos se intensifica com a atual guerra. “O impacto psicológico continuará por gerações”, afirma o psiquiatra, que atualmente coordena esforços de arrecadação de fundos fora da região.

Desafios e Estratégias

A GCMHP, que antes da guerra contava com setenta profissionais, conseguiu aumentar sua equipe para atender a demanda crescente. Em 2024, o programa alcançou setenta mil pessoas em Gaza. A equipe está dividida em três grupos, atuando em diferentes regiões, mas enfrenta dificuldades constantes, como a destruição de sua sede e a falta de transporte.

Os atendimentos em abrigos revelam um quadro alarmante. Muitos pais relatam sentimentos de culpa por não conseguirem prover o básico para seus filhos. Os sintomas em crianças incluem incontinência, medo constante e até a perda da fala. A escassez de alimentos agrava a situação, com relatos de crianças que nunca experimentaram alimentos básicos.

Impacto e Futuro

Apesar das adversidades, a GCMHP tem conseguido ajudar algumas crianças a recuperar habilidades sociais, como falar e brincar. No entanto, a continuidade dos bombardeios limita o alcance do trabalho. “Precisamos de paz verdadeira”, enfatiza Abu Jamei, referindo-se à necessidade de um ambiente seguro para a recuperação psicológica.

A organização depende de doações de países europeus e de pequenas entidades dos Estados Unidos e Itália. A instabilidade política e a incerteza sobre o futuro de Gaza afetam a continuidade do financiamento, o que representa um desafio adicional para a manutenção dos serviços essenciais de saúde mental.

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