Um levantamento da Umane mostrou que 1,6 milhão de internações no SUS em 2024 poderiam ter sido evitadas com uma melhor atenção primária à saúde. A atenção primária é o primeiro contato do paciente com a saúde e deve ser mais eficiente para resolver a maioria dos problemas de saúde. As internações foram causadas por doenças como diabetes, asma e hipertensão, que poderiam ser controladas com prevenção. A taxa de internações por essas condições foi alta, com 793,8 internações a cada 100 mil habitantes. A maioria das internações evitáveis ocorreu entre idosos e mulheres em idade reprodutiva. A falta de cobertura do SUS, especialmente em áreas periféricas, e a necessidade de mais profissionais de saúde foram destacadas como problemas. Além disso, as desigualdades raciais no acesso à saúde foram evidentes, com mais internações entre pessoas pardas. A Umane e o Conass estão trabalhando para melhorar a integração dos serviços de saúde e garantir que todos tenham acesso a cuidados de qualidade.
Um levantamento da Umane, associação civil voltada à promoção da saúde, aponta que 1,6 milhão de internações no Sistema Único de Saúde (SUS) em 2024 poderiam ter sido evitadas com uma abordagem mais eficaz na Atenção Primária à Saúde (APS). A pesquisa, baseada em dados do Sistema de Informações Hospitalares do DataSUS, destaca a fragilidade da APS no Brasil.
A superintendente geral da Umane, Thais Junqueira, afirma que a APS é o primeiro contato do paciente com a saúde e deve ser capaz de resolver de 80% a 90% dos problemas de saúde ao longo da vida. Em 2024, as internações evitáveis foram principalmente por doenças crônicas, como diabetes tipo 2 e hipertensão. A cada três minutos, uma pessoa é internada devido a complicações dessas condições.
Os dados revelam que as internações evitáveis representam 11% do total de 14,1 milhões de internações registradas no ano anterior. A médica especialista em medicina preventiva, Fátima Marinho, ressalta que a APS pode controlar doenças crônicas e evitar internações. Ela também destaca a necessidade de investimentos em saúde preventiva, especialmente para idosos e mulheres em idade reprodutiva.
Desigualdade no Acesso à Saúde
A pesquisa indica que as internações evitáveis ocorreram principalmente entre pessoas com 65 anos ou mais, totalizando 606,6 mil casos. Mulheres em idade reprodutiva (de 15 a 44 anos) também apresentaram altas taxas de internação, possivelmente devido a complicações na gestação e doenças reprodutivas.
A análise por raça mostra que 945,3 mil internações foram de pessoas pardas, refletindo desigualdades no acesso à saúde. Junqueira enfatiza a importância de garantir acesso igualitário ao SUS, independentemente da localização ou raça dos usuários.
O programa Mais Médicos, reestabelecido pelo governo Lula em 2023, registrou 6.729 novos profissionais em 2024, mas ainda há desafios na cobertura, especialmente em áreas periféricas. A Umane, em parceria com o Conselho Nacional de Secretários de Saúde, busca melhorar a integração dos serviços de saúde para garantir cuidados de qualidade e em tempo oportuno.
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