Os planos de saúde no Brasil investem muito pouco em prevenção, apenas 0,25% do que faturam, que foi mais de R$ 350 bilhões em 2022. Enquanto isso, pequenas operadoras estão se destacando ao investir mais em ações preventivas, o que tem ajudado a reduzir internações e custos. As grandes operadoras, por outro lado, continuam com investimentos baixos. A ANS recomenda que as operadoras adotem programas de promoção da saúde, mas isso é opcional. Em 2023, 221 operadoras tinham 420 programas em andamento, mas os investimentos ainda são considerados insuficientes. Operadoras menores, como a Leve Saúde, investem cerca de 1,5% de suas receitas em prevenção, realizando acompanhamento ativo dos usuários. O Hospital Sírio-Libanês também desenvolve programas para melhorar a saúde de trabalhadores de várias empresas. A alta rotatividade de usuários e a falta de engajamento dificultam mais investimentos em prevenção. Especialistas afirmam que é necessário mudar o sistema atual, focando mais em ações que beneficiem a saúde dos usuários e a sustentabilidade financeira das operadoras.
Investimentos em Prevenção na Saúde: Um Desafio para os Planos de Saúde no Brasil
Os investimentos em políticas de prevenção pelos planos de saúde no Brasil permanecem em níveis alarmantemente baixos. Em 2022, apenas 0,25% do faturamento total, que ultrapassou R$ 350 bilhões, foi destinado a iniciativas de promoção da saúde, o menor índice desde 2018.
Pequenas operadoras estão se destacando ao desafiar o modelo tradicional, investindo mais em prevenção e obtendo resultados positivos, como a redução de internações e custos. Enquanto isso, as grandes operadoras continuam a manter investimentos irrisórios. Antônio Britto, diretor-executivo da Anahp, destaca que as operadoras de planos coletivos perdem, em média, um terço dos usuários anualmente, devido a altas nos reajustes.
A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) sugere que programas de promoção da saúde devem incluir estratégias organizadas, mas a adesão das operadoras é voluntária. Em 2023, 221 operadoras estavam com 420 programas em andamento, mas os investimentos ainda são considerados baixos. A SulAmérica, por exemplo, investiu apenas 0,008% de suas receitas em programas de prevenção, apesar de um aumento de 23,5% em relação ao ano anterior.
Iniciativas de Pequenas Operadoras
Operadoras menores, como a carioca Leve Saúde, estão se destacando ao investir cerca de 1,5% de suas receitas em programas de prevenção. A empresa realiza acompanhamento ativo dos usuários após atendimentos de emergência, o que ajuda a evitar complicações. A mineira Aurora, por sua vez, realiza check-ups para novos segurados, rastreando doenças que representam 25% do custo assistencial.
Empresas empregadoras também estão buscando alternativas para estimular a prevenção. O Hospital Sírio-Libanês, por exemplo, desenvolve programas personalizados que atendem 400 mil trabalhadores de diversas empresas, resultando em melhorias na saúde e na produtividade, além de redução de custos.
O Futuro da Saúde Suplementar
A falta de engajamento dos beneficiários e a alta rotatividade entre operadoras são desafios que dificultam o aumento dos investimentos em prevenção. Rudi Rocha, do Instituto de Estudos para Políticas de Saúde, defende que incentivos são essenciais para reter contratos e estimular a permanência dos usuários.
A professora Ana Maria Malik critica o modelo atual, que prioriza contratos e preços em detrimento do relacionamento entre operadoras e beneficiários. A necessidade de um redesenho do sistema é evidente, com foco em ações preventivas que possam beneficiar tanto a saúde dos usuários quanto a saúde financeira das operadoras.
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