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Ondas de calor no Brasil aumentam e afetam saúde e vulneráveis em comunidades

Estudo da UFSC aponta que bloqueios atmosféricos podem intensificar ondas de calor no Brasil em até dez vezes até 2071, afetando a saúde da população.

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O Brasil tem visto um aumento nas ondas de calor, que podem se intensificar até dez vezes até 2071, segundo um estudo da Universidade Federal de Santa Catarina. Esses bloqueios atmosféricos, que impedem a chegada de ar frio, criam uma bolha de calor, resultando em temperaturas extremas tanto em terra quanto no mar. Em São Paulo, a situação é alarmante: antes de 2000, a cidade tinha um dia por verão com temperaturas muito altas, mas entre 2015 e 2019, esse número subiu para mais de sete dias. No verão de 2024, foram 23 dias de calor extremo, e temperaturas anormais têm sido registradas até fora do verão. Isso afeta a saúde da população, especialmente os mais vulneráveis, como os 16 milhões de brasileiros que vivem em comunidades com dificuldades para se adaptar às mudanças climáticas. Muitas pessoas, como Maria da Conceição Mendes, enfrentam temperaturas insuportáveis em suas casas e não têm acesso a ar-condicionado. O calor extremo também aumenta o risco de morte por problemas de saúde, como infarto e AVC, principalmente entre idosos e crianças. Especialistas pedem investimentos em adaptações climáticas, como aumentar áreas verdes nas cidades, para lidar com essa situação.

O Brasil enfrenta um aumento acentuado nas ondas de calor, com um estudo da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) indicando que esses fenômenos podem se intensificar em até dez vezes até 2071. O estudo aponta que bloqueios atmosféricos, que impedem a chegada de frentes frias, são responsáveis por esse aumento, criando uma bolha de calor que resulta em temperaturas extremas.

A capital paulista exemplifica essa mudança climática. Antes de 2000, São Paulo registrava, em média, um dia por verão com temperaturas acima da média. Entre 2015 e 2019, esse número subiu para mais de sete dias, e no verão de 2024, foram 23 dias de calor extremo. As temperaturas anormais também ocorrem fora do verão, como evidenciado pelo segundo veranico em maio.

Impactos nas Comunidades Vulneráveis

Mais de 16 milhões de brasileiros, cerca de 8,1% da população, vivem em áreas onde a adaptação às mudanças climáticas é desafiadora. Na Zona Oeste de São Paulo, a dona de casa Maria da Conceição Mendes relata que as temperaturas dentro de sua casa superam os 30°C, mesmo em dias considerados amenos. Para lidar com o calor, ela utiliza métodos improvisados, como toalhas molhadas e bacias com água.

O calor extremo também traz sérios riscos à saúde. O patologista Paulo Saldiva, da Universidade de São Paulo (USP), alerta que nos 2,5% dos dias mais quentes do ano, o risco de morte por causas naturais aumenta em até 50%, especialmente entre grupos vulneráveis.

Necessidade de Adaptação

Especialistas enfatizam a urgência de investimentos em adaptação climática. Saldiva defende que é essencial tornar as cidades mais verdes, com o plantio de árvores e a criação de florestas urbanas. A venda de ar-condicionado cresceu 38% no último ano, mas menos de duas em cada dez casas no Brasil possuem esse equipamento. A situação exige ações imediatas para mitigar os efeitos das ondas de calor e proteger a saúde da população.

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