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Atendimentos de saúde mental disparam no RS após enchentes devastadoras

Crisis de saúde mental em Eldorado do Sul: um ano após enchente, 52% das vítimas enfrentam depressão e 42% TEPT. Atendimento psicológico disparou.

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Em maio de 2024, Eldorado do Sul sofreu uma grande enchente do rio Jacuí, afetando 81,1% da população e 71,2% das casas. Um ano depois, a cidade enfrenta um aumento nos problemas de saúde mental, com 52% das vítimas apresentando sintomas de depressão e 42% com Transtorno de Estresse Pós-Traumático. Suzana Martins de Souza, uma técnica em enfermagem de 43 anos, perdeu sua casa e muitos bens na enchente e agora lida com síndrome do pânico, dependendo de auxílio-doença e vendendo doces para ajudar na renda. Os atendimentos de saúde mental na cidade aumentaram 56,7%, e os Centros de Atenção Psicossocial passaram de 5 para 461 atendimentos mensais. No Rio Grande do Sul, as consultas relacionadas a transtornos mentais cresceram 11,7% após a enchente. Especialistas afirmam que a perda de acesso a serviços de saúde e a dificuldade em buscar ajuda devido ao estigma são preocupações importantes. Em São Leopoldo, cidade próxima, o número de atendimentos em hospitais dobrou, e a psicóloga Cristina Cannas notou um aumento de casos graves, incluindo tentativas de suicídio, com muitos pacientes lidando com o luto e incertezas sobre o futuro.

Em maio de 2024, Eldorado do Sul enfrentou uma enchente devastadora do rio Jacuí, resultando em 81,1% da população e 71,2% dos imóveis afetados. Um ano após a tragédia, a cidade enfrenta uma crise de saúde mental, com 52% das vítimas apresentando sintomas depressivos e 42% com Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT).

A técnica em enfermagem Suzana Martins de Souza, de 43 anos, é um exemplo da luta diária dos moradores. Sua casa foi inundada, com a água atingindo 1,4 metro e permanecendo por três semanas. Ela perdeu móveis, eletrodomésticos e seu carro, que nunca mais funcionou. Após a enchente, Suzana desenvolveu síndrome do pânico e depende do auxílio-doença do INSS, além de vender doces e salgados para complementar a renda.

O aumento nos atendimentos de saúde mental é alarmante. Em Eldorado do Sul, os procedimentos ambulatoriais cresceram 56,7%, enquanto os atendimentos nos Centros de Atenção Psicossocial (Caps) saltaram de 5 para 461 mensais. Dados do Datasus mostram que, em todo o Rio Grande do Sul, as consultas relacionadas a transtornos mentais aumentaram 11,7% nos dez meses seguintes à enchente.

Especialistas apontam que muitos moradores perderam o acesso a serviços de saúde durante a calamidade. A professora Juliana Nichterwitz Scherer, da Universidade do Vale do Rio dos Sinos, destaca que a demanda reprimida e a agudização de quadros clínicos são fatores que contribuem para o aumento dos atendimentos. Além disso, a falta de acesso a medicamentos e a dificuldade de buscar ajuda devido ao estigma são preocupações constantes.

Em São Leopoldo, cidade vizinha, o número de atendimentos em hospitais dobrou após a enchente, refletindo a gravidade da situação. A psicóloga Cristina Cannas relata um aumento significativo de casos de sofrimento intenso, incluindo tentativas de suicídio. A enchente ainda é um tema recorrente nas consultas, com pacientes lidando com o luto e a incerteza sobre o futuro.

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