Um estudo recente revelou que entre 2003 e 2020, 20 milhões de hectares de vegetação nativa no cerrado foram afetados por incêndios, sendo que apenas 7% desses incêndios ocorreram em áreas desmatadas. Em 2024, o número de focos de incêndio no cerrado aumentou em 60% em relação ao ano anterior, o que mostra a necessidade urgente de políticas para prevenir e gerenciar o fogo. A pesquisa, realizada pelo Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia, destacou que o fogo se espalha rapidamente para áreas nativas ao redor das regiões desmatadas. A maior parte das áreas queimadas é de propriedade privada, e o fogo é frequentemente usado para preparar o solo para agricultura e pastagem. Embora o fogo faça parte do ecossistema do cerrado, a frequência dos incêndios provocados por humanos está acelerando as mudanças climáticas e a perda de biodiversidade. O estudo também apontou que as comunidades tradicionais estão sendo afetadas pela crise climática, e é importante implementar ações de prevenção e manejo do fogo para proteger tanto o meio ambiente quanto as pessoas que vivem na região.
Incêndios no Cerrado: Estudo Revela Impactos Alarmantes do Desmatamento
Um novo estudo do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam) revela que 20 milhões de hectares de vegetação nativa no cerrado foram afetados por incêndios entre 2003 e 2020. A pesquisa, realizada em parceria com instituições internacionais, mostra que apenas 7% dos incêndios iniciados em áreas desmatadas permaneceram dentro dos limites dessas regiões. O estudo destaca que o fogo se espalha para áreas de mata nativa, aumentando a devastação.
Os dados indicam que, em 2024, o cerrado registrou um aumento de 60% nos focos de incêndio em comparação a 2023, com 81.432 ocorrências. A maior parte das áreas queimadas, cerca de 14,7 milhões de hectares, pertence a propriedades privadas, que perderam 27% de sua vegetação nativa devido a incêndios relacionados ao desmatamento. Áreas públicas e terras indígenas também foram afetadas, com 1,4 milhão e 1,2 milhão de hectares queimados, respectivamente.
Efeitos Indiretos do Desmatamento
Ana Carolina Pessôa, pesquisadora do Ipam, afirma que o efeito indireto do desmatamento, que potencializa a destruição pelo fogo, muitas vezes não é contabilizado. O fogo é frequentemente utilizado para preparar o solo para plantio ou pastagem, mas sua frequência e intensidade, provocadas por ações humanas, alimentam as mudanças climáticas e aceleram a perda da biodiversidade.
O estudo considerou incêndios iniciados dentro ou em até 1 km de áreas desmatadas, ocorridos até dois anos após a conversão da vegetação. A pesquisadora destaca que, embora o manejo do fogo seja parte do ciclo natural do cerrado, a alteração desse ciclo devido à ação humana gera um ambiente mais propenso a novos focos de incêndio.
Urgência de Políticas de Prevenção
Os dados do estudo devem ser utilizados para fortalecer ações de combate ao desmatamento e para a elaboração de políticas públicas de prevenção de incêndios e manejo do fogo. A pesquisadora ressalta a necessidade de ações de adaptação climática, uma vez que o ciclo natural do fogo no cerrado já foi alterado, ameaçando o modo de vida das comunidades tradicionais.
O cenário atual exige uma abordagem preventiva, que considere não apenas o território, mas também as pessoas que vivem na região. O manejo do fogo deve ser adaptado às particularidades locais para evitar a propagação de incêndios e proteger a biodiversidade do cerrado.
Entre na conversa da comunidade