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Golfinhos-rotadores em Noronha adotam comportamento de guarda para proteção do grupo

Golfinhos-rotadores em Noronha adotam saltos como estratégia de vigilância, mas turismo excessivo ameaça reprodução e equilíbrio social da espécie.

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Pesquisadores do Projeto Golfinho Rotador, que estuda golfinhos-rotadores em Fernando de Noronha desde 1990, descobriram que os saltos dos machos adultos servem como uma forma de proteção para fêmeas e filhotes. Esses machos atuam como sentinelas, alertando o grupo sobre perigos como tubarões e embarcações. A pesquisa, que durou 35 anos, mostrou que essa vigilância é uma parte importante da estrutura social dos golfinhos. Os machos assumem a liderança temporariamente, dependendo de sua condição física e experiência. No entanto, a presença crescente de barcos e mergulhadores está prejudicando essa proteção, causando estresse nos golfinhos e afetando sua reprodução. Os pesquisadores alertam que isso pode levar a mais riscos para os filhotes e à diminuição da população. Eles também destacam a importância de políticas de preservação para garantir que Fernando de Noronha continue sendo um santuário para esses animais.

Pesquisadores do Projeto Golfinho Rotador, que monitora a população de golfinhos-rotadores em Fernando de Noronha desde mil novecentos e noventa, revelaram novas descobertas sobre o comportamento desses animais. Os estudos indicam que os saltos dos golfinhos machos adultos funcionam como uma vigilância estratégica, protegendo fêmeas e filhotes de predadores e embarcações.

A pesquisa, que abrange 35 anos, identificou que os machos adultos assumem temporariamente a função de sentinelas, um comportamento chamado de “comportamento de guarda”. Essa vigilância é crucial para a proteção do grupo, especialmente contra ameaças como tubarões. O coordenador do projeto, José Martins, destacou que essa liderança não é fixa, mas rotativa, dependendo da condição física e da experiência dos golfinhos.

Os dados coletados mostram que, em amostras genéticas de golfinhos nadando à frente de botes, setenta e três por cento eram machos. Além disso, em observações, mais de oitenta e seis por cento dos golfinhos próximos a embarcações eram machos adultos. As atividades aéreas, como saltos e giros, também foram predominantemente realizadas por eles, com mais de noventa e sete por cento dos registros feitos por machos.

Impactos do Turismo

Os pesquisadores alertam que o aumento de embarcações e mergulhadores em Fernando de Noronha compromete a eficácia do comportamento de guarda. Quanto mais tempo os barcos perseguem os golfinhos, menos eles conseguem se proteger de tubarões e cuidar dos filhotes. Isso resulta em maior estresse, menor taxa de reprodução e aumento do risco de mortalidade infantil.

Embora não tenham sido registradas imagens de ataques de tubarões durante a interferência humana, Martins afirmou que esses incidentes já ocorreram. Os dados do projeto têm sido fundamentais para a criação de políticas de preservação em Noronha, como áreas de exclusão e restrições ao tráfego de embarcações.

O coordenador enfatizou a importância de sensibilizar o público sobre os impactos negativos do turismo na reprodução e no equilíbrio social dos golfinhos. “Queremos que o turismo de observação seja sustentável, garantindo que os golfinhos continuem vindo à ilha”, afirmou Martins. Desde mil novecentos e noventa, o Projeto Golfinho Rotador tem contribuído para a pesquisa e conservação marinha na região, com apoio do Programa Petrobras Socioambiental.

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