Um novo estudo sugere que o uso de mídias digitais por adolescentes pode ser problemático e propõe critérios para identificá-lo. Pesquisadores da Universidade de Washington e da Universidade de Stony Brook, liderados pelo pediatra Dimitri Christakis, defendem que o tempo de uso deve ser medido de forma semelhante ao consumo de álcool. O artigo, publicado na revista Jama, classifica o uso em categorias, como uso moderado (menos de cinco horas por dia) e uso compulsivo (mais de quatro horas em uma sessão). Os pesquisadores alertam que o uso excessivo pode afetar atividades importantes, como sono e interações sociais. Embora reconheçam a importância do conteúdo acessado, eles acreditam que focar no tempo de uso é mais prático. No entanto, alguns especialistas criticam essa abordagem, temendo que ela possa levar a diagnósticos excessivos. Apesar das divergências, há um consenso sobre a vulnerabilidade dos adolescentes ao uso problemático de tecnologia, que pode ser projetada para ser viciante. Sinais de alerta para pais e educadores incluem perda da noção de tempo, dificuldade em parar de usar as mídias, queda no desempenho escolar e isolamento social.
Um novo artigo científico sugere critérios objetivos para identificar o uso problemático de mídias digitais entre adolescentes. A pesquisa, liderada pelo pediatra Dimitri Christakis, da Universidade de Washington, e pela médica Lauren Hale, da Universidade de Stony Brook, propõe uma taxonomia baseada em tempo de uso, semelhante à do consumo de álcool. O estudo, intitulado “Toward Defining Problematic Media Usage Patterns in Adolescents”, foi publicado na revista Jama (The Journal of the American Medical Association).
A discussão sobre o uso excessivo de mídias digitais já existe, mas a atenção inicial focou no transtorno de jogo. Embora a Organização Mundial da Saúde (OMS) tenha reconhecido o transtorno de jogo em 2022, a quinta edição do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM) não incluiu o transtorno de jogo online como uma entidade clínica. Christakis, que faz parte do comitê que revisa essa decisão, argumenta que os jogos representam apenas uma fração das experiências digitais problemáticas.
Critérios de Uso
O estudo propõe categorias de uso de mídias digitais com base em limites de tempo de tela, calculados pelos próprios dispositivos. As categorias incluem:
1. Uso moderado: menos de cinco horas por dia.
2. Uso compulsivo: mais de quatro horas em uma sessão contínua.
3. Uso de alta intensidade: doze horas ou mais em um dia.
4. Uso intenso: nove horas ou mais em um dia ou sessenta horas ou mais por semana.
Os três últimos são considerados “uso indevido de mídia”, que pode prejudicar atividades do mundo real, como sono e interações sociais. Christakis destaca que adolescentes que usam o celular por nove horas diárias não estão dormindo o suficiente.
Críticas e Desafios
Embora o estudo tenha recebido apoio, especialistas como Rodrigo Machado, psiquiatra do Programa de Transtornos do Impulso do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas, criticam a metodologia. Machado considera a abordagem “atrasada” e alerta para o risco de patologizar comportamentos cotidianos. Ele defende que a identificação de dependências deve ser mais ampla e com critérios bem definidos.
Ambos os especialistas concordam que adolescentes são vulneráveis ao uso problemático de tecnologia. Christakis afirma que as redes sociais são projetadas para serem viciantes, enquanto Machado sugere a criação de um “diagnóstico guarda-chuva” para o uso problemático da internet. O debate sobre como diagnosticar e tratar esse problema continua em andamento.
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