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Cigarros eletrônicos podem causar dependência maior que o cigarro convencional

Estudo revela que usuários de vapes podem ter níveis de nicotina até seis vezes maiores que fumantes, elevando riscos à saúde.

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Um estudo do Instituto do Coração (InCor) mostra que quem usa cigarros eletrônicos, conhecidos como vapes, pode ter níveis de nicotina muito altos, até seis vezes mais do que fumantes de cigarros tradicionais. A pesquisa analisou a saliva de 417 pessoas em diferentes locais de São Paulo e descobriu que usuários com alta dependência de vapes têm, em média, 435 nanogramas de nicotina no corpo, o que é mais do que fumantes que tentam parar após 25 anos de uso. A nicotina pode causar problemas cardíacos e respiratórios, além de afetar a saúde mental, aumentando a ansiedade e a depressão. A pesquisa também revelou que muitos usuários acreditam que estão usando vapes sem nicotina, mas 56% dos dispositivos testados continham a substância. A maioria dos usuários é branca e tem renda mensal entre R$2.500 e R$10 mil. Embora 17,8% dos participantes tenham começado a usar vapes para parar de fumar, muitos acabam se tornando tão dependentes quanto antes. O uso de vapes está crescendo rapidamente no Brasil, com mais de três milhões de usuários adultos, e a cardiologista Jaqueline Scholz alerta que os efeitos negativos do uso de vapes podem aparecer mais rapidamente do que os do tabaco tradicional.

Um estudo do Instituto do Coração (InCor) revela que usuários de cigarros eletrônicos, conhecidos como vapes, podem ter níveis de nicotina até seis vezes superiores aos fumantes de cigarros convencionais. A pesquisa, realizada em parceria com a Vigilância Sanitária do Estado de São Paulo e a Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), analisou amostras de saliva de quatrocentas e dezessete pessoas em diversos locais públicos.

Os resultados mostram que usuários com alta dependência de vapes apresentam, em média, 435 nanogramas de nicotina no organismo após um ano de uso. Para comparação, esse nível é superior ao de fumantes que buscam tratamento após vinte e cinco anos fumando vinte cigarros por dia. A cardiologista Jaqueline Scholz, coordenadora da pesquisa, destaca que a nicotina pode aumentar a frequência cardíaca e a pressão arterial, elevando o risco de doenças cardíacas e problemas respiratórios.

A pesquisa também revelou que 219 nanogramas de nicotina foram encontrados em usuários com dependência leve, enquanto aqueles com dependência moderada apresentaram 201 nanogramas. Em casos isolados, os níveis de nicotina foram até seis vezes maiores que os de fumantes convencionais. Além disso, ex-fumantes que agora usam vapes têm uma média de 450 nanogramas de nicotina, sugerindo que muitos aumentam o consumo ao trocar o cigarro convencional pelo eletrônico.

Percepção e Realidade

Outro ponto importante é a discrepância entre a percepção dos usuários e a composição real dos produtos. Entre aqueles que afirmaram usar vapes “sem nicotina”, cinquenta e seis por cento estavam expostos à substância sem saber. A pesquisa também identificou que quarenta por cento dos usuários começaram a usar vapes por curiosidade, enquanto dezessete vírgula oito por cento o fizeram como método para parar de fumar.

Os dados indicam que o uso de vapes pode encurtar o tempo para o surgimento de doenças relacionadas ao tabagismo. Jaqueline Scholz alerta que já foram observados casos de infarto em jovens de vinte anos. A pesquisa também revelou que dezessete vírgula nove por cento dos participantes relataram ter alguma condição de saúde, sendo a asma a mais comum.

O estudo, que foi apresentado no InCor, destaca a necessidade de atenção ao crescente uso de cigarros eletrônicos no Brasil, onde mais de três milhões de adultos consomem esses dispositivos. O aumento de seiscentos por cento no consumo nos últimos seis anos é alarmante, e a cardiologista enfatiza que os vapes podem ser mais prejudiciais do que se imagina.

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