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Cobertura de saúde primária avança no Brasil, mas rotatividade de médicos preocupa

A alta rotatividade de médicos na atenção primária à saúde no Brasil desafia a cobertura e a qualidade do atendimento, revelam novos dados.

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Quase todas as regiões de saúde do Brasil conseguiram ter um profissional de saúde para cada 3.500 habitantes, mas a rotatividade de médicos é alta, com 33,9% saindo de suas funções, especialmente em áreas mais pobres. Enquanto o Piauí tem 98% das unidades com a quantidade adequada de médicos, o Amapá tem apenas 53%. Santa Catarina é o estado com a melhor média de médicos, enquanto o Distrito Federal tem a pior. A pesquisa mostra que a saída de médicos está ligada à economia local, com estados mais ricos tendo menos desligamentos. Apesar de melhorias na cobertura de saúde, como no atendimento pré-natal, a vacinação infantil não atingiu a meta de 95% em nenhum estado. Alagoas se destacou com 87% de cobertura vacinal, enquanto o Amapá ficou com 55%. Um novo painel interativo foi lançado para ajudar a entender esses dados e melhorar a atenção primária à saúde no Brasil.

Quase todas as regiões de saúde do Brasil (99%) atingiram a meta de profissionais de saúde em 2024, com um médico para cada 3.500 habitantes. Contudo, a rotatividade de médicos é alta, com 33,9% de desligamentos, especialmente em áreas menos desenvolvidas. O estudo, realizado pela Umane e pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre), destaca que a saída de profissionais é mais acentuada em regiões com menor desenvolvimento econômico.

Os dados revelam que, enquanto o Piauí apresenta 98% de unidades com a proporção adequada de médicos, o Amapá tem apenas 53%. Santa Catarina lidera na média de médicos por população, com 3,15 para cada 3.500 habitantes, enquanto o Distrito Federal apresenta a menor média, com 1,2. A pesquisa também correlaciona a rotatividade de médicos com o PIB regional, indicando que estados com economias mais fortes, como Rio de Janeiro e São Paulo, têm menores taxas de saída.

Desafios na Atenção Primária

Os pesquisadores apontam que a alta rotatividade impacta a qualidade do atendimento. A médica de família e comunidade, Marcella Abunahman, enfatiza a importância do vínculo entre pacientes e profissionais. “Quanto mais o profissional conhece seu paciente, menos ele erra e maior é a taxa de satisfação”, afirma. O estudo também analisou a cobertura de ações básicas de saúde, como vacinação e controle de doenças crônicas, revelando que nenhum estado atingiu a meta de 95% de cobertura vacinal para crianças abaixo de um ano.

Em relação ao atendimento pré-natal, todos os estados, exceto na região Norte, cumpriram a meta de 45% de gestantes com pelo menos seis consultas. Alagoas se destacou com 65%. O novo painel interativo sobre Atenção Primária à Saúde, lançado pelo FGV Ibre e Umane, visa auxiliar na formulação de políticas públicas, permitindo análises detalhadas e identificação de tendências. A ferramenta estará disponível no Observatório de Saúde Pública, facilitando o planejamento estratégico para a melhoria dos serviços de saúde no Brasil.

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