O Brasil enfrenta um aumento da obesidade, afetando mais de 60% da população, após ter reduzido a fome com o programa Fome Zero. José Graziano da Silva, ex-diretor da FAO, destaca que é mais difícil combater a obesidade do que a fome, pois envolve mudanças de hábitos e educação alimentar. Ele sugere medidas como tributar bebidas açucaradas e regular a publicidade de alimentos para desencorajar o consumo de produtos ultraprocessados. Graziano observa que a pandemia piorou os hábitos alimentares, com muitos optando por alimentos mais baratos e menos saudáveis. Ele critica a falta de informação sobre alimentação e a responsabilidade pública em garantir que as famílias saibam o que estão consumindo. Além disso, enfatiza a importância de políticas públicas, como a educação alimentar nas escolas, para promover hábitos saudáveis desde a infância. A obesidade é um problema complexo, ligado a fatores sociais e econômicos, e requer um esforço conjunto entre governo, escolas e famílias para ser enfrentado de forma eficaz.
O Brasil enfrenta um aumento alarmante na obesidade, com mais de 60% da população afetada, segundo o Ministério da Saúde. José Graziano da Silva, ex-diretor da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), destaca a urgência de políticas públicas para combater essa epidemia.
Graziano, que criou o programa Fome Zero nos anos 2000, afirma que combater a obesidade é mais complexo do que erradicar a fome. Ele propõe medidas como a tributação de bebidas açucaradas e a regulação da publicidade de alimentos. “Não é responsabilidade da mãe que alimenta o filho. Ela tem que ser instruída”, ressalta.
O ex-diretor observa que a pandemia de Covid-19 intensificou a mudança nos hábitos alimentares dos brasileiros, levando muitos a optarem por alimentos ultraprocessados devido à sua acessibilidade. “O pobre que foi expulso do campo em busca de dignidade foi morar em um deserto alimentar na cidade”, explica.
Graziano também aponta que o Brasil, apesar de ser um grande produtor de alimentos, enfrenta uma contradição: a inflação dos alimentos e a baixa renda da população. Ele menciona que a obesidade é um problema multifatorial, envolvendo aspectos sociais, econômicos e de saúde.
Para enfrentar essa questão, ele sugere que o governo deve regular a venda de alimentos ultraprocessados nas proximidades de escolas e incentivar a compra de produtos da agricultura familiar. “A escola deve ser um lugar de ensinar a criança a comer bem”, afirma.
Graziano cita o Chile como um exemplo positivo, onde políticas públicas eficazes conseguiram conter o crescimento da obesidade. Ele conclui que, sem uma abordagem mais igualitária, o Brasil continuará a enfrentar desafios na alimentação saudável da população.
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