- Oito dermatologistas revelam o que usam na pele, o que consideram indispensável (protetor solar é unanimidade) e o que veem como superestimado.
- Vitamina C pela manhã e ácidos à noite aparecem entre as recomendações de Paola Pomerantzeff, com alerta para começar com retinol/retinóico conforme a tolerância.
- Niacinamida é vista como superestimada quando usada sozinha; melhora de poros e pigmentação pode exigir combinação com outros ativos e tratamento dermatológico.
- Higiene e hidratação ganham destaque: hidratante é considerado essencial por Flávia Brasileiro; sabonete adequado para o tipo de pele e limpeza suave são indicados por Juliana Kida.
- Outros pontos recorrentes: hidroquinona não é mais indicada por alguns, ácido salicílico pode ser superutilizado; ácido hialurônico tópico é visto como hype sem efeito significativo isolado; há valor em ingredientes como glicólico, peptídeos de colágeno marinho e thiamidol para clareamento/anti manchas.
O Estadão ouviu oito dermatologistas para entender quais produtos eles usam na pele e o que consideram desnecessário ou superestimado. As declarações revelam escolhas pessoais, bem como críticas a modismos de mercado. O objetivo é orientar a rotina de cada pessoa, sem fórmula única.
Entre os itens citados como indispensáveis, protetor solar é universal. Além dele, especialistas destacam rotinas específicas e apontam o que evitam ou não endossam. A análise afirma que a pele exige cuidado individualizado, levando em conta tipo, sensibilidade e fase da vida.
Vitamina C, retinoides e hidratação
Paola Pomerantzeff defende vitamina C pela manhã e retinóide (retinoico) à noite, com introdução gradual para peles sensíveis. Ela critica a niacinamida em excesso, associando-a a modismos de redes sociais e ressaltando que poros dilatados exigem tratamentos complementares.
Flávia Brasileiro aposta na hidratação como função central da rotina. Hydratantes com ceramidas e niacinamida ganham espaço; água micelar e géis de ácido hialurônico recebem restrições, por nem sempre promoverem limpeza adequada ou penetração eficaz.
Elizabeth Senra reforça o trio filtro solar, limpeza suave e vitamina C como base. Ela alerta que ácido salicílico, quando usado indiscriminadamente, pode irritar peles sensíveis, especialmente com envelhecimento, prejudicando a barreira cutânea.
Katleen Conceição prioriza glicólico para renovação e filtro com cor, útil para proteger contra radiação e luz visível. A vitamina C aparece com cautela, dependendo do tipo de pele, e costuma ser associada a outros ativos para melhorar a tolerância.
Higiene, hidroquinona e colágeno
Juliana Kida destaca a dupla sabonete adequado para pele oleosa e vitamina C tópica, usada diariamente. Ela aponta a hidroquinona como ingrediente que não recomenda mais, por potenciais efeitos adversos com uso prolongado.
Denise Steiner ressalta retinoides e vitamina C como pilares anti-envelhecimento, com uso noturno e progressivo. Ela considera a niacinamida superestimada quando usada isoladamente, funcionando melhor em combinação com outros ativos.
Jardis Volpe cita peptídeos de colágeno marinho como recurso útil acima dos 35 anos, além de considerar o ácido hialurônico tópico excessivamente valorizado sem combinação com ceramidas e esqualano. Ele aponta o thiamidol como opção para clarear manchas, especialmente em pele negra, com aplicação dupla diária.
Observação sobre o mercado de cosméticos
Denise Steiner completa ao afirmar que muitos produtos de sucesso exibem boa textura, porém pouca eficácia fisiológica, destacando a diferença entre cosméticos e cosmecêuticos. A prática clínica segue enfatizando a individualização da rotina, considerando hábitos de vida e saúde. Não há substituto para orientação médica adequada quando se trata de pele.
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