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Estudo da USP revela o mapa genético mais completo da população brasileira

Estudo da USP revela mais de oito milhões de variantes genéticas no Brasil, com implicações para saúde e ancestralidade.

Liderado pela Universidade de São Paulo (USP), o projeto DNA do Brasil revelou o mais completo estudo sobre a diversidade genética da população brasileira. Publicado na revista Science, o estudo analisou os genomas completos de 2.723 indivíduos de diversas regiões do País. Os pesquisadores identificaram mais de oito milhões de variantes genéticas, sendo que a […]

Liderado pela Universidade de São Paulo (USP), o projeto DNA do Brasil revelou o mais completo estudo sobre a diversidade genética da população brasileira. Publicado na revista Science, o estudo analisou os genomas completos de 2.723 indivíduos de diversas regiões do País.

Os pesquisadores identificaram mais de oito milhões de variantes genéticas, sendo que a ancestralidade da amostra é composta por 60% de origem europeia, 27% africana e 13% nativa. As maiores concentrações de ancestralidade africana foram encontradas nas regiões Norte e Nordeste, enquanto a europeia predominou no Sul e Sudeste. A geneticista Lygia da Veiga Pereira destacou que foram descobertas combinações de genomas africanos que não existem nem mesmo na África.

O estudo também revelou acasalamentos assimétricos nos primeiros séculos do Brasil, especialmente entre colonos europeus e mulheres indígenas africanas. Com o tempo, os casamentos tornaram-se mais seletivos, ocorrendo dentro dos próprios grupos étnicos.

Além disso, os cientistas identificaram variantes genéticas associadas a doenças cardíacas e obesidade, abrangendo 450 genes. Também foram encontrados 815 genes relacionados a doenças infecciosas, como malária e tuberculose. A equipe enfatizou que mais pesquisas são necessárias para entender o impacto dessas variantes na saúde da população.

O estudo ainda apontou variantes que favorecem a fertilidade e a resposta imunológica, resultado de um processo de seleção natural acelerado ao longo de 500 anos de miscigenação. O pesquisador David Comas, do Instituto de Biologia Evolutiva de Barcelona, observou que esse processo de seleção ocorreu de forma mais rápida em comparação com outras populações.

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