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Mulheres enfrentam desafios na busca por diagnóstico e tratamento da vulvodinia

Estudo revela que mulheres com vulvodinia enfrentam gaslighting médico, atrasando diagnósticos e tratamentos por até cinco anos.

A vulvodinia, uma condição que causa dor crônica na vulva, continua a ser subdiagnosticada e mal compreendida. Um estudo recente publicado na revista JAMA Network Open revela que muitas mulheres enfrentam gaslighting médico, levando a dúvidas sobre sua sanidade e atrasos no diagnóstico, com relatos de até cinco anos para encontrar tratamento adequado. Pamela Clynes, […]

A vulvodinia, uma condição que causa dor crônica na vulva, continua a ser subdiagnosticada e mal compreendida. Um estudo recente publicado na revista JAMA Network Open revela que muitas mulheres enfrentam gaslighting médico, levando a dúvidas sobre sua sanidade e atrasos no diagnóstico, com relatos de até cinco anos para encontrar tratamento adequado.

Pamela Clynes, de 41 anos, compartilha sua experiência. Ela começou a sentir dor intensa na vulva aos 29 anos, inicialmente acreditando que era uma infecção. Após várias consultas médicas sem diagnóstico correto, um especialista nos Estados Unidos finalmente identificou sua condição como vulvodinia. “Os médicos não acreditavam em mim e me mandaram ao psicólogo”, relata.

O estudo, que entrevistou 447 pacientes, destaca que a manipulação psicológica é comum entre especialistas que tratam condições como vulvodinia, endometriose e cistite intersticial. Jessica López, que convive com a doença há 12 anos, também enfrentou dificuldades. “O tratamento é uma corrida de obstáculos”, afirma. Ela enfatiza a falta de preparo de muitos médicos para lidar com essas condições.

Mais de 52% das pacientes interromperam o tratamento devido a experiências negativas. Muitas relataram que foram aconselhadas a “relaxar” ou até a consumir álcool, enquanto 39% se sentiram descreditadas. O estudo alerta que essas atitudes podem causar sérios problemas de saúde e desestimular a busca por ajuda.

Francisco Carmona, diretor da Unidade de Endometriose do Hospital Clínic de Barcelona, explica que as alterações psicológicas geralmente são secundárias à dor. “Se os médicos não acreditam, como não ficariam deprimidas?”, questiona. O tratamento pode incluir fisioterapia e medicamentos, mas é um processo longo e complexo.

A pesquisa é a primeira a medir o impacto do gaslighting na relação médico-paciente, revelando que a falta de conhecimento sobre a vulvodinia ainda é um grande desafio. As entrevistadas concordam que informação é poder e que falar abertamente sobre a condição é essencial para a conscientização e o tratamento adequado.

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