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Nova teoria sugere que obesidade é resultado de metainflamação e genética adaptativa

Nova teoria da metainflamação sugere que a obesidade é impulsionada por inflamação crônica e microbiota intestinal, revelando complexidade na epidemia.

BELO HORIZONTE – Pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) apresentaram a teoria da metainflamação, que sugere que a obesidade provoca inflamação crônica e que a microbiota intestinal é fundamental nesse processo. A teoria foi discutida durante o XXI Congresso Brasileiro de Obesidade e Síndrome Metabólica, realizado entre os dias 29 e 31 de maio. […]

BELO HORIZONTE – Pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) apresentaram a teoria da metainflamação, que sugere que a obesidade provoca inflamação crônica e que a microbiota intestinal é fundamental nesse processo. A teoria foi discutida durante o XXI Congresso Brasileiro de Obesidade e Síndrome Metabólica, realizado entre os dias 29 e 31 de maio.

A proposta, elaborada pelo endocrinologista Mario Saad e pelo biólogo Andrey Santos, foi publicada na revista *Endocrine Reviews*. A inflamação persistente, sem sintomas visíveis, é reconhecida desde os anos 1990, mas a nova teoria indica que ela não é apenas uma consequência da obesidade, mas também um fator que contribui para seu desenvolvimento. Saad afirmou que a relação é uma via de mão dupla.

Desde a década de 1980, a obesidade tem aumentado rapidamente. A World Obesity Federation (WOF) estima que até 2035, metade da população mundial estará acima do peso. A teoria da metainflamação destaca a interação entre genética e ambiente, sugerindo que a microbiota intestinal, influenciada pela dieta, desempenha um papel crucial na inflamação subclínica.

Saad enfatizou que a alimentação é um fator determinante. Ele criticou o consumo excessivo de alimentos ultraprocessados e destacou que a mudança na dieta é mais importante do que alterar a genética. A microbiota intestinal, que abriga trilhões de microrganismos, é afetada pela alimentação e pode desencadear respostas inflamatórias que dificultam o controle do apetite e a resistência à insulina.

A nova teoria também sugere que a seleção evolutiva favoreceu genes inflamatórios em populações que enfrentaram epidemias, explicando as diferenças nas taxas de obesidade entre grupos étnicos. Saad observou que a microbiota de pessoas obesas é menos diversa, o que contribui para a inflamação e resistência à insulina, dificultando a regulação do peso.

Embora a teoria tenha sido bem recebida, Saad aguarda críticas e testes em seu laboratório, reafirmando que a ciência avança por meio da contestação.

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