Crianças que nasceram recentemente no Brasil enfrentarão sérios problemas devido às mudanças climáticas. Um estudo do Núcleo Ciência Pela Infância mostra que elas terão 6,8 vezes mais calor extremo e 2,8 vezes mais inundações ao longo de suas vidas. Além disso, 37,4% dessas crianças vivem em insegurança alimentar. Os eventos climáticos extremos aumentaram muito nos últimos anos, passando de 1.779 registros em 2015 para 6.772 em 2023. Isso afeta especialmente as 18,1 milhões de crianças de zero a seis anos no país, das quais 8,1 milhões estão em situação de pobreza. O estudo também revela que 5% das crianças pequenas já sofrem de desnutrição crônica. As mudanças climáticas causam prejuízos econômicos significativos, com perdas anuais de R$ 13 bilhões, e menos de 2,4% dos fundos para emergências climáticas são usados para proteger crianças. As enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul mostraram os impactos da crise climática, com muitas crianças sendo acolhidas em abrigos. O setor educacional também foi afetado, com perdas de R$ 2,36 bilhões e muitas horas de aula comprometidas. O estudo recomenda um modelo de cuidado integral que inclua saúde, nutrição e segurança, além de políticas para melhorar a situação das crianças. Um investimento de US$ 195 por pessoa poderia ajudar a melhorar os serviços para a primeira infância.
Quando uma criança nasce hoje no Brasil, ela entra em um mundo marcado por mudanças climáticas severas. Um estudo do Núcleo Ciência Pela Infância (NCPI) revela que essas crianças enfrentarão 6,8 vezes mais calor extremo e 2,8 vezes mais inundações ao longo de suas vidas. Além disso, 37,4% delas vivem em insegurança alimentar, o que ressalta a urgência de ações integradas.
A pesquisa, baseada em dados do Observatório de Clima e Saúde da Fiocruz, mostra que os eventos climáticos extremos aumentaram de 1.779 registros em 2015 para 6.772 em 2023, um crescimento de quase 280%. Enquanto uma criança nascida em 1960 vivenciou ondas de calor esporádicas, uma criança de 2020 enfrentará um cenário muito mais crítico. A crise climática no Brasil não é apenas ambiental; ela afeta profundamente as condições sociais das 18,1 milhões de crianças de zero a seis anos, que representam 8,9% da população.
Entre essas crianças, 8,1 milhões vivem em situação de pobreza ou extrema pobreza, aumentando sua vulnerabilidade. O estudo destaca que 33,6% delas pertencem a famílias chefiadas por mulheres negras, muitas vezes em situações de racismo ambiental. Além disso, 5% das crianças de zero a quatro anos já enfrentam desnutrição crônica, enquanto 18,28% estão em risco de sobrepeso, um fenômeno que especialistas chamam de “sindemia global”.
Impactos Econômicos e Educacionais
Os prejuízos causados pelas mudanças climáticas no Brasil já somam R$ 13 bilhões anuais, o que representa 0,1% do PIB de 2022. Globalmente, menos de 2,4% dos fundos para emergências climáticas são direcionados à proteção infantil, perpetuando ciclos de vulnerabilidade. Projeções indicam que as perdas podem chegar a US$ 38 trilhões anuais até 2050, um valor que supera em seis vezes o custo necessário para limitar o aquecimento global.
As enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul serviram como um laboratório para entender os impactos da crise climática na infância. Mais de 3.930 crianças foram acolhidas em abrigos, enfrentando separações familiares durante operações de resgate. O setor educacional também sofreu, com perdas de R$ 2,36 bilhões, comprometendo 55.749 horas-aula e aprofundando desigualdades.
Recomendações para o Futuro
O estudo sugere a adoção de um modelo de “cuidado integral” da Organização Mundial de Saúde, que abrange saúde, nutrição, segurança e aprendizado. Para a saúde, recomenda-se fortalecer a atenção primária e ampliar sistemas de drenagem. Na segurança alimentar, políticas de agroecologia e hortas urbanas são essenciais.
A criação de espaços seguros para acolhimento em situações de deslocamento e o fortalecimento de serviços de saúde mental são fundamentais. Um investimento de US$ 195 per capita poderia suprir lacunas nos serviços para a primeira infância, um valor modesto diante dos custos da inação. A questão não é mais se devemos agir, mas sim quão rapidamente podemos implementar essas soluções para proteger as gerações atuais e futuras.
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