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Crianças sem acesso a áreas verdes enfrentam problemas de saúde física e mental

Estudo revela que 37,4% das escolas brasileiras não têm áreas verdes, afetando a saúde e o desenvolvimento das crianças.

Nicolas Albino, 7, anda de bicicleta no estacionamento de um mercado perto de casa, um dos poucos lugares em que pode brincar no bairro onde mora, na zona norte de São Paulo (Foto: Raquel Franco/Folhapress)
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A falta de áreas verdes nas escolas brasileiras preocupa a saúde das crianças. Um estudo mostrou que 37,4% das escolas de educação infantil e ensino fundamental nas capitais não têm espaços com vegetação, o que diminui o tempo que os alunos passam ao ar livre. Nicolas, de sete anos, só conhece animais de zoológicos e prefere ficar em casa jogando videogame, enquanto sua mãe, Thalita, lamenta a falta de brincadeiras ao ar livre que ela teve na infância. Especialistas alertam que menos contato com a natureza pode causar problemas como atraso no desenvolvimento motor e distúrbios psicológicos. A urbanização e o medo da violência também fazem com que as crianças fiquem em ambientes fechados, o que pode causar doenças respiratórias. Em contraste, Manuela, de quatro anos, vive em uma área verde e sua mãe percebeu melhorias na saúde dela. Uma pesquisa revelou que 52,4% das escolas em favelas não têm áreas verdes, com Salvador sendo a capital com o pior índice. O governo de São Paulo planeja criar 33 escolas sustentáveis até 2026, mas até agora nenhuma foi entregue. As crianças querem brincar mais ao ar livre, mas a falta de tempo das famílias e a preocupação com a segurança dificultam isso.

A falta de áreas verdes nas escolas brasileiras tem gerado preocupações sobre a saúde física e mental das crianças. Um estudo recente revelou que 37,4% das instituições de educação infantil e ensino fundamental nas capitais não possuem espaços com vegetação, impactando o tempo que os alunos passam ao ar livre.

Nicolas Albino, de sete anos, exemplifica essa realidade. Ele conhece animais e insetos apenas de visitas ao zoológico e prefere atividades indoor, como videogame. Sua mãe, Thalita Albino, relembra com tristeza as brincadeiras ao ar livre de sua infância no Jardim Santa Cruz, em São Paulo. Hoje, ela teme deixar o filho brincar fora de casa, limitando suas atividades a um estacionamento próximo.

Especialistas alertam que a redução do contato com a natureza pode levar ao “transtorno de déficit de natureza”, termo criado pelo jornalista Richard Louv. Esse fenômeno está associado a problemas como atraso no desenvolvimento motor, miopia e distúrbios psicológicos. Louv destaca que brincar ao ar livre é essencial para o desenvolvimento saudável das crianças, melhorando aspectos como imunidade e sociabilidade.

Impactos da Urbanização

A urbanização e o medo da violência têm forçado as crianças a permanecer em ambientes fechados, frequentemente mal ventilados. A exposição a poluentes e mofo pode resultar em doenças respiratórias, como asma. Vera Rullo, da Sociedade de Pediatria de São Paulo, ressalta que o calor extremo também afeta a saúde infantil, aumentando o risco de desidratação e convulsões.

Em contraste, Manuela Sapia, de quatro anos, vive em Itupeva, cercada por áreas verdes. Sua mãe, Flávia Sapia, notou melhorias na saúde da filha desde que se mudaram para um local com mais natureza. O psicólogo Marco Aurélio Carvalho afirma que o contato com o verde é crucial para prevenir transtornos como ansiedade e depressão.

A Situação nas Escolas

Uma pesquisa do Instituto Alana revelou que 52,4% das escolas em áreas de favela não têm acesso a áreas verdes. Salvador é a capital com o pior índice, com 87% das escolas sem vegetação. Em São Paulo, 39% das escolas carecem de espaços verdes, afetando mais de 374 mil alunos.

O governo de São Paulo anunciou planos para criar 33 escolas sustentáveis até 2026, mas até agora nenhuma foi entregue. As secretarias de Meio Ambiente e Educação estão promovendo ações de educação ambiental, mas a realidade ainda é preocupante. Uma pesquisa da Fiocruz mostrou que, em creches do Rio de Janeiro, as crianças passam apenas duas horas ao ar livre em um dia de dez horas.

As crianças expressam o desejo de brincar mais ao ar livre. Lorenzo Borro, de sete anos, e Carmem Borga, de sete, destacam a importância de brincar na natureza. A falta de tempo das famílias e a preocupação com a segurança têm contribuído para essa realidade, limitando o acesso das crianças ao ambiente natural.

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