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Estudo da USP revela consumo de ultraprocessados nas cidades brasileiras em mapa interativo

Estudo revela que o consumo de ultraprocessados no Brasil varia de 5,7% a 30,5% entre municípios, exigindo políticas públicas urgentes.

Alimentos ultraprocessados e ricos em açúcar (Foto: Freepik)
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Um estudo da Universidade de São Paulo mostrou que o consumo de ultraprocessados no Brasil varia bastante entre as cidades, com Florianópolis tendo 30,5% das calorias diárias provenientes desses alimentos, enquanto em Aroeiras do Itaim, Piauí, esse número é de apenas 5,7%. Esses produtos industrializados, que têm pouco valor nutricional, são populares pela praticidade, mas estão ligados a problemas de saúde como obesidade e diabetes tipo 2. A pesquisa revelou que o consumo é maior nas regiões Sul e em cidades mais ricas, onde a renda e a urbanização influenciam essa escolha. Os ultraprocessados costumam ser ricos em açúcar e gordura ruim, mas pobres em nutrientes. Especialistas alertam que, embora o Brasil consuma menos ultraprocessados do que países desenvolvidos, o aumento desse consumo é preocupante, especialmente entre pessoas de baixa renda, que tendem a comprar produtos de qualidade nutricional inferior. Para enfrentar esse problema, os pesquisadores sugerem políticas públicas, como educação alimentar e restrição da publicidade desses produtos, além de impostos sobre ultraprocessados, como já acontece em outros lugares.

Um estudo do Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde da Universidade de São Paulo (Nupens/USP) revelou que o consumo de ultraprocessados no Brasil varia significativamente entre os municípios. Em Florianópolis, 30,5% das calorias diárias consumidas são desses produtos, enquanto em Aroeiras do Itaim, Piauí, essa porcentagem é de apenas 5,7%.

Os ultraprocessados, que incluem alimentos e bebidas industrializadas com baixo valor nutricional, têm se tornado populares devido à sua conveniência. No entanto, estão associados a um aumento no risco de 32 problemas de saúde, como obesidade e diabetes tipo 2. A pesquisa, publicada na Revista de Saúde Pública, analisou dados da Pesquisa de Orçamentos Familiares e do Censo Demográfico do IBGE, evidenciando uma grande heterogeneidade no consumo entre as regiões do Brasil.

Consumo Regional

A região Sul do Brasil apresenta os maiores índices de consumo, superando a média nacional de 20%. Cidades como Curitiba e Porto Alegre têm percentuais de 26,3% e 26,6%, respectivamente. Em contraste, estados do Norte e Nordeste, como Piauí e Maranhão, registram os menores índices. Leandro Cacau, pesquisador do Nupens, destaca que a renda e a urbanização são fatores determinantes para o consumo elevado de ultraprocessados.

Municípios mais ricos, com maior número de pessoas ganhando acima de cinco salários mínimos, tendem a consumir mais esses produtos. A urbanização também influencia, já que cidades rurais apresentam estimativas mais baixas. O aumento do delivery e a falta de tempo para cozinhar são fatores que contribuem para essa tendência.

Riscos à Saúde

Os ultraprocessados são frequentemente ricos em açúcar, gordura de má qualidade e sódio, mas pobres em nutrientes essenciais. Estudos mostram que o consumo frequente desses alimentos está ligado a um maior risco de doenças crônicas, como diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares. Eline de Almeida Soriano, médica nutróloga, ressalta que, embora o Brasil ainda tenha um consumo menor em comparação a países desenvolvidos, a tendência de crescimento é preocupante.

Além disso, o consumo de ultraprocessados entre pessoas de menor renda tende a ser de produtos de baixa qualidade nutricional, como salgadinhos e biscoitos. A professora Manuela Dolinsky, da Universidade Federal Fluminense, observa que esses grupos vulneráveis estão cada vez mais expostos a esses produtos devido ao seu custo acessível e à praticidade.

Medidas Necessárias

Os autores do estudo sugerem que a identificação das áreas com maior consumo de ultraprocessados pode auxiliar na formulação de políticas públicas. Medidas como educação alimentar, restrição da publicidade de ultraprocessados para crianças e incentivos a hortas comunitárias são recomendadas. Além disso, a implementação de impostos sobre produtos ultraprocessados, como já ocorre em outros países, poderia ser uma estratégia eficaz para reduzir o consumo e promover hábitos alimentares mais saudáveis.

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