- O Senado dos Estados Unidos aprovou o projeto de lei de saúde conhecido como “big, beautiful bill”, com uma votação de 51 a 50.
- O projeto prevê cortes de $1,1 trilhão em gastos com saúde, afetando principalmente o Medicaid, que atende milhões de americanos de baixa renda.
- Estima-se que 11,8 milhões de pessoas perderão a cobertura de saúde até 2034, com impactos severos em hospitais rurais.
- Os republicanos defendem os cortes como uma forma de eliminar desperdícios, enquanto os democratas criticam a medida por afetar o Medicaid.
- O projeto inclui uma nova exigência de trabalho para beneficiários do Medicaid, que pode gerar $325 bilhões em economias ao longo de dez anos.
O Senado dos Estados Unidos aprovou, na terça-feira, o projeto de lei de saúde proposto pelo presidente Donald Trump, conhecido como “big, beautiful bill”. A votação foi apertada, com um resultado de 51 a 50, após uma longa sessão de emendas. O projeto prevê cortes de $1,1 trilhão em gastos com saúde, impactando diretamente o Medicaid, programa que atende milhões de americanos de baixa renda.
Estima-se que 11,8 milhões de pessoas perderão a cobertura de saúde até 2034, com a maioria afetada sendo beneficiários do Medicaid. Os cortes também ameaçam a sobrevivência de hospitais rurais, que dependem fortemente do financiamento federal. A análise da Congressional Budget Office (CBO) indica que as mudanças podem resultar na maior redução de cobertura de saúde já vista nos Estados Unidos.
Os republicanos defendem que os cortes visam eliminar desperdícios e fraudes, enquanto os democratas criticam a medida por contradizer promessas de não afetar o Medicaid. A proposta inclui uma nova exigência de trabalho para beneficiários do Medicaid, que deverá ser cumprida para manter a cobertura. Essa regra, que entrará em vigor em 2026, pode resultar em $325 bilhões em economias ao longo de uma década.
Impactos nos Hospitais Rurais
Os cortes no Medicaid podem ultrapassar 20% em mais da metade dos estados, segundo a National Rural Health Association. A presidente da American Nurses Association, Jennifer Mensik Kennedy, alertou que a redução de financiamento pode levar ao fechamento de hospitais e centros de saúde em áreas rurais, resultando em meio milhão de perdas de empregos no setor.
Embora o projeto inclua um fundo de $25 bilhões para ajudar hospitais rurais, especialistas afirmam que isso é insuficiente para compensar os cortes. A situação é crítica, pois pacientes em áreas rurais já enfrentam dificuldades de acesso a cuidados médicos, com taxas mais altas de doenças crônicas e mortalidade.
Controvérsias e Reações
A inclusão de uma cláusula que isenta medicamentos para doenças raras das negociações de preços do Medicare também gerou polêmica. A indústria farmacêutica argumenta que isso incentivará investimentos em tratamentos, enquanto grupos de defesa dos consumidores criticam a medida como um favorecimento à indústria, que pode custar $5 bilhões aos contribuintes.
Com a votação na Câmara dos Representantes se aproximando, a pressão aumenta sobre os legisladores, que enfrentam um cenário de divisões internas. A continuidade do Medicaid e a saúde de milhões de americanos estão em jogo, enquanto o debate sobre o futuro da assistência médica nos EUA se intensifica.
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