- Um novo estudo indica que a poluição atmosférica pode ser uma das principais causas do câncer de pulmão em não fumantes.
- A pesquisa, publicada na revista Nature, analisou o genoma de oitocentos e setenta e um não fumantes com câncer de pulmão em 28 países.
- Os pesquisadores encontraram danos genéticos semelhantes aos causados pelo tabaco, especialmente relacionados a partículas de 2,5 micras.
- Mais de quatro milhões de pessoas morrem anualmente devido à poluição do ar, com até um quarto dessas mortes atribuídas ao câncer de pulmão.
- O estudo sugere que a poluição do ar é um fator importante no aumento do câncer de pulmão entre não fumantes, abrindo novas possibilidades para investigações futuras.
Os oncologistas enfrentam um novo desafio: enquanto as leis antitabaco têm reduzido o número de fumantes e os casos de câncer de pulmão entre eles, um aumento alarmante de casos está sendo observado entre não fumantes. Um estudo recente revela que a poluição atmosférica pode ser uma das principais causas desse fenômeno, apresentando danos genéticos semelhantes aos causados pelo tabaco.
O estudo, publicado na revista *Nature*, analisou o genoma de 871 não fumantes com câncer de pulmão em 28 países. Os pesquisadores descobriram que as assinaturas mutacionais e os danos no DNA desses pacientes são comparáveis aos observados em fumantes. A pesquisa destaca que a poluição do ar, especialmente as partículas de 2,5 micras, está diretamente relacionada ao aumento da carga de mutações, que favorecem o crescimento tumoral.
Dados alarmantes indicam que mais de quatro milhões de pessoas morrem anualmente devido à poluição atmosférica, e até um quarto dessas mortes pode ser atribuído ao câncer de pulmão. A Organização Mundial da Saúde aponta que 99% da população mundial respira níveis de poluição acima dos limites recomendados. Na União Europeia, essa poluição é responsável por mais de 200 mil mortes por ano.
Conexão com a Poluição
O estudo revela que, em áreas mais poluídas, os pacientes têm quase quatro vezes mais assinaturas mutacionais associadas ao tabaco e um aumento de 76% em outra assinatura relacionada ao envelhecimento celular. A pesquisa foi coordenada pelo Centro Nacional de Câncer dos Estados Unidos e envolveu colaborações internacionais, incluindo grupos do Canadá, China, Turquia e Reino Unido.
Os pesquisadores também identificaram um possível fator de risco adicional: o consumo de ácido aristolóquico, presente em ervas da medicina tradicional chinesa, que está associado a diversos tipos de câncer. O estudo sugere que a poluição do ar pode ser um fator crucial no aumento do câncer de pulmão entre não fumantes, abrindo novas hipóteses para investigações futuras.
A especialista em oncologia, Rosario García-Campelo, destaca que este é um estudo sem precedentes, com a maior e mais variada amostra de dados genômicos já analisada sobre câncer de pulmão em não fumantes. A pesquisa não conclui que a poluição causa diretamente esses tumores, mas fornece evidências significativas para futuras investigações.
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