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Desnormalizar o consumo de álcool e valorizar quem opta por não beber

Movimento crescente questiona a normalização do álcool, promovendo a sobriedade como escolha válida e desafiando estigmas sociais.

Hora do brinde: é preciso envolver álcool sempre? (Foto: iStock/iStock)
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  • O consumo de álcool é uma prática social comum, mas um novo movimento está questionando essa norma.
  • Especialmente entre mulheres e jovens adultos, cresce a curiosidade sobre a sobriedade e a reflexão sobre a necessidade de beber.
  • Aproximadamente cinquenta por cento da população brasileira não consome álcool, optando por motivos de saúde e bem-estar.
  • A campanha americana Sober Curious promove a aceitação da abstenção, afirmando que não beber é uma escolha válida.
  • O movimento busca desnormalizar o álcool, questionando por que bebidas não alcoólicas precisam de justificativa, enquanto o álcool é considerado obrigatório.

O consumo de álcool é uma prática social amplamente aceita, mas um novo movimento está desafiando essa norma. Especialmente entre mulheres e jovens adultos, cresce a curiosidade sobre a sobriedade e a reflexão sobre a real necessidade de beber.

Pedro, que nunca se sentiu atraído pelo álcool, frequentemente enfrenta questionamentos sobre sua escolha. Frases como “Você ainda vai aprender a beber” e “Mas você nunca bebe? Nem em festa?” são comuns. Essa pressão social revela um folclore em torno da abstenção, onde a escolha de não beber é vista como estranha ou até suspeita.

A realidade é que cerca de 50% da população brasileira não consome álcool. Muitas pessoas optam por não beber por diversos motivos, como saúde, bem-estar e uma busca por relacionamentos mais autênticos. A campanha americana Sober Curious destaca essa nova perspectiva, afirmando: “Eu não estou bebendo. E está tudo bem.”

Questionando a Normalização do Álcool

Esse movimento não busca demonizar o álcool, mas sim questionar a sua normalização. Por que o suco de uva precisa de justificativa, enquanto a cerveja é considerada obrigatória? A ideia de “moderação” é frequentemente distorcida, permitindo que muitos se considerem usuários moderados, mesmo quando os danos à saúde são evidentes.

Pesquisas mostram que os maiores custos relacionados ao álcool não recaem apenas sobre os dependentes, mas também sobre aqueles que se consideram consumidores moderados. Programas de prevenção, como o Modera em São Paulo, falham ao tratar o consumo de álcool como inevitável. A responsabilidade não deve ser apenas do indivíduo, mas sim de uma mudança cultural e ambiental.

Aceitando a Abstenção

É fundamental parar de tratar quem não bebe como um mistério. Muitas vezes, a explicação é simples: a pessoa simplesmente não gosta. Desnormalizar o álcool não significa ser fiscal de copos alheios, mas aceitar que é possível viver plenamente sem ele. Se a diversão depende do álcool, talvez o problema não esteja em quem opta por não beber.

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