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Mulheres representam quase 95% dos cuidadores de pessoas com demência no Brasil

Cuidadores de pessoas com demência enfrentam exaustão e abandono profissional, evidenciando a urgência de apoio e políticas públicas eficazes.

Solidão na velhice aumenta em 31% o risco de desenvolver demência (Foto: Pixabay)
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  • Um estudo da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) revela que 93,6% dos cuidadores de pessoas com demência no Brasil são mulheres.
  • A pesquisa, realizada entre fevereiro de 2022 e janeiro de 2023, entrevistou 381 participantes e mostrou que 94,9% atuam sem remuneração.
  • Quarenta e dois vírgula oito por cento dos cuidadores abandonaram seus empregos para se dedicar ao cuidado de familiares.
  • O estudo aponta que 85% dos cuidadores relataram exaustão emocional e 62,5% afirmaram que o cuidado impactou negativamente suas vidas pessoais.
  • Apesar da Política Nacional de Cuidado Integral às Pessoas com Doença de Alzheimer, o Brasil ainda carece de suporte adequado para os cuidadores.

Quase 95% dos cuidadores de pessoas com demência no Brasil são mulheres, segundo um novo estudo da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). A pesquisa, realizada entre fevereiro de 2022 e janeiro de 2023 com 381 participantes, revela que 93,6% dos cuidadores são do sexo feminino, com uma média de idade de 48,8 anos. A maioria (94,9%) exerce a função sem remuneração, e 42,8% abandonaram seus empregos para se dedicar integralmente ao cuidado de familiares.

Os dados indicam que 85% dos cuidadores relataram exaustão emocional, enquanto 78% enfrentam cansaço físico constante. Além disso, 62,5% afirmaram que o cuidado impactou negativamente suas vidas pessoais. Mais de 46% se sentem despreparados para a função. O neurologista Alan Cronemberger Andrade, autor do estudo, destaca que muitos cuidadores informais se veem nessa posição sem preparação adequada.

Desafios do Cuidado

Roseneide de Jesus, 66 anos, é um exemplo dessa realidade. Ela voltou a morar com o ex-marido, José Fernando Rocha, 77, após o agravamento do seu quadro de Alzheimer. Roseneide, que trabalha como gari, divide seu tempo entre o trabalho e o cuidado. “Ele não pode mais ficar sozinho”, explica. A rotina inclui administrar medicamentos de forma improvisada, já que José se recusa a tomá-los.

O estudo também revela que 87% dos cuidadores atuam sozinhos e apontam a necessidade de apoio financeiro e compartilhamento de responsabilidades. Walter Teixeira, professor da Unifesp, ressalta que muitas mulheres abandonam suas carreiras para assumir essa função, alterando drasticamente seus destinos.

Políticas Públicas e Apoio

Apesar da recente Política Nacional de Cuidado Integral às Pessoas com Doença de Alzheimer, sancionada em junho de 2024, o Brasil ainda carece de iniciativas que ofereçam suporte aos cuidadores. Atualmente, existem apenas 183 centros-dia para atender pacientes, a maioria sem foco em demência. Andrade alerta que a falta de preparo pode levar a situações de violência doméstica e negligência, aumentando os riscos para a saúde dos idosos.

Os dados do Ministério da Saúde indicam que cerca de 8,5% da população acima de 60 anos convive com demência, totalizando aproximadamente 1,8 milhão de casos. Até 2050, esse número pode chegar a 5,7 milhões. A valorização do papel dos cuidadores informais é essencial para garantir um cuidado digno e seguro para os pacientes.

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