- A Organização Mundial da Saúde (OMS) classifica a obesidade como uma doença crônica complexa, ligada a fatores genéticos, ambientais e psicossociais.
- Estudos recentes mostram uma conexão entre obesidade e transtornos psiquiátricos, sugerindo que a obesidade poderia ser considerada uma doença psiquiátrica.
- Um estudo austríaco de 2023 revelou que pessoas com obesidade têm 2,52 vezes mais chances de sofrer de depressão e 2,13 vezes mais de desenvolver transtornos de ansiedade.
- Durante o Congresso Brasileiro de Psiquiatria, especialistas discutiram a obesidade como uma doença sistêmica, destacando o estigma que dificulta o tratamento.
- A abordagem multidisciplinar é considerada essencial para o tratamento eficaz da obesidade e sua relação com a saúde mental.
ENVIADO ESPECIAL A BRASÍLIA – A Organização Mundial da Saúde (OMS) classifica a obesidade como uma doença crônica complexa, resultante de fatores genéticos, ambientais e psicossociais. Essa condição está associada a riscos elevados de diabetes tipo 2, doenças cardíacas e diversos tipos de câncer. Recentes estudos revelam uma conexão significativa entre obesidade e transtornos psiquiátricos, levantando a discussão sobre a possibilidade de classificar a obesidade como uma doença psiquiátrica.
Um estudo austríaco de 2023, publicado na revista Translational Psychiatry, analisou dados de 3 milhões de pacientes e constatou que aqueles com obesidade têm 2,52 vezes mais chances de sofrer de depressão e 2,13 vezes mais de desenvolver transtornos de ansiedade. O autor principal, Michael Leutner, enfatiza a importância de aumentar a conscientização sobre diagnósticos psiquiátricos em pacientes obesos.
Durante o Congresso Brasileiro de Psiquiatria, realizado em Brasília, especialistas debateram a relação entre obesidade e saúde mental. O psiquiatra Táki Cordás argumentou que a obesidade deve ser vista como uma doença sistêmica, que afeta diversas áreas da medicina. Ele destacou que o estigma histórico em torno da obesidade, que a associa à falta de vontade, prejudica o tratamento e contribui para a epidemia global da doença.
Por outro lado, o endocrinologista Neuton Dornelas defendeu que a obesidade não deve ser classificada como um transtorno mental, citando uma revisão de 2009 que não encontrou evidências suficientes para tal. Ele alertou sobre o impacto negativo que a postura dos médicos pode ter sobre os pacientes, que frequentemente enfrentam constrangimentos relacionados ao peso.
A psicóloga Rogeria Taragano ressaltou a importância de abordar questões emocionais no tratamento da obesidade, especialmente o fenômeno do “comer emocional”. Ela destacou que a regulação emocional é crucial para o sucesso do tratamento e que a equipe multidisciplinar deve estar atenta a esses aspectos.
Os especialistas concordam que a obesidade e os transtornos mentais estão interligados, e a abordagem multidisciplinar é essencial para um tratamento eficaz. A Federação Mundial de Obesidade prevê que, se não forem tomadas medidas, mais da metade da população adulta mundial estará com sobrepeso ou obesidade até 2035.
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