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Reino Unido alerta sobre uso abusivo de Ozempic e riscos de pancreatite

MHRA investiga ligação genética com pancreatite em usuários de medicamentos GLP-1 após aumento de casos e preocupações na mídia.

Injeções de Ozempic são aprovadas para diabetes, mas também são usadas para perda de peso. (Foto: picture alliance (dpa/picture alliance via Getty Images))
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  • A Agência Reguladora de Medicamentos e Produtos de Saúde do Reino Unido (MHRA) busca pacientes que tiveram pancreatite aguda para estudar a influência genética no risco de inflamação pancreática associada a medicamentos GLP-1, como o Ozempic.
  • A iniciativa foi motivada por reportagens sobre mortes e casos de pancreatite relacionados a esses medicamentos.
  • A MHRA estima que um terço das reações adversas poderia ser evitado com testes genéticos.
  • Em ensaios clínicos, a pancreatite foi observada em menos de 0,5% dos pacientes tratados com semaglutida, o princípio ativo do Ozempic.
  • A crescente utilização de medicamentos GLP-1 exige acompanhamento rigoroso e prescrições por equipes multidisciplinares.

A Agência Reguladora de Medicamentos e Produtos de Saúde do Reino Unido (MHRA) está buscando a colaboração de pacientes que sofreram de pancreatite aguda para investigar a possível influência genética no risco de inflamação pancreática associada ao uso de medicamentos GLP-1, como o Ozempic. A iniciativa surge após reportagens alarmantes sobre mortes e casos de pancreatite relacionados a esses medicamentos.

A MHRA estima que cerca de um terço das reações adversas poderia ser evitado com testes genéticos prévios. Apesar das manchetes impactantes, a evidência atual não confirma um problema sério com esses medicamentos, que têm sido utilizados há mais de 20 anos para diabetes. Em ensaios clínicos, a pancreatite foi observada em menos de 0,5% dos pacientes tratados com semaglutida, o princípio ativo do Ozempic.

Cristóbal Morales, endocrinologista na Espanha, destaca que a informação sobre os medicamentos é baseada em estudos com médicos especialistas, que realizam monitoramento rigoroso. Ele alerta para os riscos do uso indiscriminado, especialmente quando adquiridos online ou prescritos por profissionais não qualificados. O uso inadequado pode resultar em efeitos colaterais mais graves.

Crescimento do Uso de GLP-1

Estudos recentes indicam que cerca de um milhão de pessoas no Reino Unido estão utilizando medicamentos GLP-1 exclusivamente para perda de peso. Quando incluídos os pacientes que os utilizam para diabetes ou problemas cardiovasculares, esse número sobe para 1,6 milhão. Mesmo que o número de casos de pancreatite supere os 560 registrados pela MHRA, a taxa ainda seria inferior aos dados apresentados nas bulas.

A pesquisa da University College London revela que 15% dos usuários de medicamentos para emagrecimento injetáveis utilizaram produtos não aprovados para essa finalidade. Isso ocorre, por exemplo, quando o Ozempic, indicado para diabetes, é usado em vez do Wegovy, destinado à perda de peso, embora ambos contenham semaglutida.

Andreea Ciudin, coordenadora da Unidade de Tratamento da Obesidade do Hospital Vall d’Hebron, alerta para a complexidade do diagnóstico de pancreatite. Ela enfatiza que o termo não deve ser usado genericamente, pois pode ter diversas causas, incluindo consumo de álcool e infecções virais. A elevação de enzimas pancreáticas, comum no início do tratamento, não indica necessariamente dano pancreático.

A Agência Europeia de Medicamentos (EMA) não se manifestou sobre os alertas divulgados pela mídia britânica. A crescente utilização de medicamentos GLP-1 exige um acompanhamento rigoroso, com prescrições feitas por equipes multidisciplinares e monitoramento contínuo.

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