- Um estudo recente indica que secas podem reduzir em até 95% o valor calórico do néctar das flores, afetando polinizadores como as abelhas e a produção agrícola.
- A pesquisa, coordenada pela professora Elza Guimarães, do Instituto de Biociências de Botucatu da Universidade Estadual Paulista, foi publicada na revista Scientific Reports.
- Em cenários críticos, a quantidade de açúcares no néctar pode cair de 1,3 mil quilos para apenas 71 quilos por hectare.
- Um aumento de 30% na pluviosidade pode elevar em 74% o valor calórico do néctar.
- O relatório da Convenção das Nações Unidas para o Combate à Desertificação alerta para secas recordes em regiões vulneráveis e desenvolvidas, com impactos severos previstos para os próximos anos.
André Julião | Agência FAPESP – Um novo estudo apoiado pela FAPESP revela que secas podem reduzir em até 95% o valor calórico do néctar das flores, afetando polinizadores como as abelhas e a produção agrícola, especialmente de culturas dependentes da polinização, como a abobrinha (Cucurbita pepo). A pesquisa, publicada na revista *Scientific Reports*, destaca que, em cenários de chuvas extremas, a escassez de água pode ter consequências devastadoras.
A pesquisa, coordenada pela professora Elza Guimarães, do Instituto de Biociências de Botucatu da Universidade Estadual Paulista (IBB-Unesp), mostra que a redução de açúcares no néctar, em um cenário crítico, pode cair de 1,3 mil quilos para apenas 71 quilos por hectare. “Sem néctar, as abelhas vão embora, as plantas não se reproduzem e os agricultores perdem a produção”, afirma Guimarães. O estudo também indica que um aumento de 30% na pluviosidade resultou em uma elevação de 74% no valor calórico do néctar.
Impactos das Mudanças Climáticas
O relatório da Convenção das Nações Unidas para o Combate à Desertificação (UNCCD), divulgado recentemente, ressalta que regiões vulneráveis e desenvolvidas enfrentaram secas recordes nos últimos dois anos. O documento alerta que os padrões climáticos de 2023 e 2024 consolidaram um cenário de impactos severos, que devem persistir em 2025.
Os pesquisadores realizaram experimentos com plantas de abobrinha em estufa, simulando diferentes regimes de chuvas dos últimos 40 anos. As plantas foram divididas em grupos que receberam quantidades variadas de água, representando cenários de seca, excesso de chuvas e condições normais. Os resultados sugerem que, embora o estudo tenha sido feito em ambiente controlado, os achados podem refletir o que ocorrerá em ecossistemas naturais.
Desdobramentos da Pesquisa
A coautora Priscila Tunes, que realiza pós-doutorado no IBB-Unesp, destaca que a equipe está explorando os efeitos das mudanças climáticas em outras espécies de plantas e o comportamento das abelhas diante dessas alterações. O estudo também considera as consequências de chuvas intensas, que podem dificultar a atividade dos polinizadores e impactar a saúde das plantações.
Os pesquisadores continuam a investigar como as interações entre plantas e polinizadores podem ser afetadas por eventos climáticos extremos, contribuindo para um entendimento mais profundo dos desafios que a agricultura enfrenta em um cenário de mudanças climáticas.
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