- O Suriname enfrenta erosão costeira e aumento do nível do mar, afetando a capital, Paramaribo.
- O governo iniciou a construção de um dique de 4,5 quilômetros, com investimento de 11 milhões de dólares, para proteger a população e a agricultura.
- Aproximadamente 68% da população do Suriname vive em áreas vulneráveis ao aumento do nível do mar, segundo o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas.
- A ilha de Braamspunt, importante para a desova de tartarugas marinhas, também está ameaçada pela erosão.
- O governo enfrenta desafios financeiros para modernizar as estruturas de proteção, enquanto a exploração de petróleo offshore deve começar em 2028.
Erosão costeira e aumento do nível do mar ameaçam Paramaribo, no Suriname
O Suriname enfrenta uma grave crise ambiental, com a erosão costeira e o aumento do nível do mar colocando em risco a capital, Paramaribo. Para enfrentar essa situação, o governo iniciou a construção de um dique de 4,5 km, com investimento de US$ 11 milhões. A obra visa proteger a população e a agricultura local, que já sofre os efeitos da mudança climática.
Gandat Sheinderpesad, agricultor de 56 anos, testemunha a perda de sua terra diariamente. “Todos os dias vejo um pedaço de terra desaparecer”, lamenta. Segundo o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), 68% da população do Suriname vive em áreas vulneráveis ao aumento do nível do mar. O ministro de Obras Públicas, Riad Nurmohamed, destaca que a erosão é um problema persistente na região.
A situação crítica em Paramaribo
A ilha de Braamspunt, conhecida por ser um local de desova de tartarugas marinhas, também está ameaçada. O guia turístico Kiran Soekhoe Balrampersad acredita que sua atividade pode estar com os dias contados. “Talvez dure até o próximo ano”, afirma. A erosão acelerou tanto que, em 2020, o governo precisou agir rapidamente. Nurmohamed explica que, enquanto algumas áreas têm manguezais que funcionam como barreiras, a região próxima a Paramaribo possui apenas um quilômetro dessa proteção natural.
Um programa de replantio de mangues foi iniciado, mas os resultados não foram satisfatórios. “Nos últimos anos, a água penetrou com força nos manguezais, e eles foram destruídos”, relata o ministro. A construção do dique é vista como uma solução urgente, já que a água pode atingir rapidamente a área urbana.
Desafios financeiros e ambientais
O Suriname, com cerca de 600 mil habitantes, enfrenta desafios financeiros para modernizar suas estruturas de proteção. O governo espera gerar receita com a exploração de petróleo offshore a partir de 2028, mas a necessidade de investimentos em infraestrutura é imediata. “Não sei onde conseguiremos os fundos para modernizar todos os diques”, admite Nurmohamed.
A situação é alarmante para muitos, como Gandat, que perdeu 95% de sua terra e vê sua casa a poucos metros da nova margem. “Quando o dique for construído, estarei um pouco mais seguro. Por quanto tempo, não sei”, conclui. A construção do dique representa uma esperança para a população de Paramaribo, que luta contra os efeitos devastadores da mudança climática.
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