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Cresce hipermedicação entre adolescentes e especialistas alertam para riscos graves

Aumento de diagnósticos de ansiedade entre adolescentes gera alerta sobre medicalização e impacto das redes sociais na saúde mental

O limiar entre o que é de fato um aumento de desordem psiquiátrica ou uma medicalização da vida —atribuir à medicina algo que não é dela— é tênue e precisa ser olhado com cautela (Foto: Adobe Stock)
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  • Um em cada sete adolescentes entre 10 e 19 anos apresenta transtornos mentais, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).
  • Diagnósticos de ansiedade entre jovens superaram os de adultos pela primeira vez, especialmente após a pandemia.
  • A medicalização excessiva e a influência das redes sociais são fatores que agravam a saúde mental dos adolescentes.
  • A pressão por padrões idealizados nas redes sociais e o cyberbullying intensificam sintomas de ansiedade e depressão.
  • Especialistas recomendam acompanhamento multidisciplinar e políticas públicas para evitar a patologização de experiências normais da adolescência.

Um em cada sete adolescentes entre 10 e 19 anos apresenta transtornos mentais, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). O aumento de diagnósticos de ansiedade entre jovens superou os de adultos pela primeira vez, refletindo uma preocupação crescente com a saúde mental após a pandemia.

Estudos recentes indicam que a medicalização excessiva e a influência das redes sociais são fatores que agravam a saúde mental dos adolescentes. Especialistas alertam que a pressão por padrões de vida idealizados nas redes sociais, aliada ao cyberbullying, intensifica sintomas de ansiedade e depressão. Karina Diniz, professora da Unicamp, destaca que a era digital está associada ao aumento de transtornos mentais.

A necessidade de pertencimento e a comparação social, características da adolescência, são amplificadas pela internet. Guilherme V. Polanczyk, psiquiatra da FMUSP, observa que a incerteza nas relações online pode gerar ansiedade. Além disso, a pressão acadêmica e a instabilidade do mercado de trabalho contribuem para o sofrimento emocional dos jovens.

A medicalização de questões típicas da adolescência pode prejudicar o desenvolvimento emocional. Claudinei Affonso, coordenador do curso de psicologia da PUC-SP, ressalta que diagnósticos rápidos podem aliviar a angústia, mas não resolvem problemas complexos. O acompanhamento multidisciplinar, com psiquiatra e psicólogo, é essencial para fortalecer habilidades emocionais.

Os especialistas concordam que é crucial promover políticas públicas voltadas para a saúde mental dos jovens, evitando a patologização de experiências normais da adolescência. A sobrecarga nos serviços de saúde e a demanda por diagnósticos também são preocupações que precisam ser abordadas.

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