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Saúde mental enfrenta desafios após tragédia no Rio Grande do Sul

Pesquisadores destacam a urgência de intervenções contínuas em saúde mental após enchentes que devastaram o Rio Grande do Sul em 2024.

Ruas inundadas entre dois edifícios no centro de Porto Alegre em decorrência de enchentes (Foto: USP Imagens)
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  • As enchentes no Rio Grande do Sul em 2024 causaram 180 mortes e afetaram 2,4 milhões de pessoas.
  • Pesquisadores da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), em parceria com a Universidade de São Paulo (USP) e a Universidade de Brasília (UnB), analisaram a atuação das equipes de saúde mental durante a crise.
  • As equipes enfrentaram desafios, como a falta de preparo para desastres dessa magnitude e a fragmentação entre as forças públicas e privadas.
  • Os pesquisadores identificaram complicações psicológicas, como reação aguda ao estresse, transtorno de ajustamento e Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT).
  • A continuidade do cuidado psicológico é essencial, e a equipe da UFCSPA atuou até setembro de 2024, oferecendo suporte e orientações às vítimas.

Mais de um ano após as enchentes devastadoras no Rio Grande do Sul, que resultaram em 180 mortes e afetaram 2,4 milhões de pessoas, a saúde mental da população ainda enfrenta desafios significativos. Pesquisadores da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), em colaboração com a USP e a UnB, analisaram a atuação das equipes de saúde mental durante a crise, destacando a necessidade de intervenções estruturadas.

Durante o desastre, o foco inicial foi a assistência clínica, mas o cuidado psicológico das vítimas também se tornou crucial. Muitas equipes de apoio à saúde mental não estavam preparadas para lidar com desastres dessa magnitude. Joana Correia, vice-coordenadora do curso de Psicologia da UFCSPA, enfatiza que a enchente afetou profundamente o senso de pertencimento da população. A equipe da UFCSPA registrou experiências para aprimorar políticas de apoio, utilizando um instrumento de coleta de dados qualitativos.

Os pesquisadores identificaram três complicações psicológicas predominantes: a reação aguda ao estresse, o transtorno de ajustamento e o Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT). Esses transtornos manifestam-se de diversas formas, como ansiedade, depressão e flashbacks. A falta de moradia e o desamparo social intensificaram essas condições, especialmente entre as populações mais vulneráveis.

Desafios e Respostas

Os relatos também revelaram que muitos profissionais de saúde mental se sentiram despreparados para a magnitude do desastre. A fragmentação entre as forças públicas e privadas dificultou a gestão das intervenções, levando a um cenário de excessos em algumas áreas e ausência em outras. A precariedade do sistema de saúde mental, já existente antes da catástrofe, foi evidenciada.

A continuidade do cuidado psicológico é essencial, especialmente em processos de luto e recuperação. A equipe da UFCSPA permaneceu ativa até setembro de 2024, oferecendo suporte às vítimas e orientações sobre seus direitos. A pesquisa conclui que fortalecer treinamentos e implementar cuidados contínuos são fundamentais para melhorar a resposta a desastres futuros e restaurar a autonomia das comunidades afetadas.

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